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19 de março de 2018 | 16h 46
Conheça o mineiro Paulo Gannam em "Os desafios de ser inventor no Brasil"
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Redação JC
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Publicado por: Redação JC

Gannam segura o primeiro protótipo de um sistema que promete integrar toda a comunicação entre motoristas e motociclistas e prevenir acidentes por meio do envio de mensagens instantâneas.

 

Por Paulo Gannam

Ser inventor independente no Brasil não é brinquedo. Uma invenção ou simples ideia tem tantos filtros pelos quais passar que isso gera um bom período de descobertas até se chegar a uma inovação propriamente.

Confiança é fundamental, mas também a relevância da criação. Toda pessoa, ao criar alguma coisa, precisa pensar: “Isto realmente economiza tempo e dinheiro? Já não existe? Realmente funciona ou é realmente necessário? Aplica-se a um mercado grande o suficiente? Esse mercado quer pagar pelo quanto eu estou pensando em pedir? Vai dar uma boa margem de lucro?”.

Ser inventor requer pelo menos um pouco de conhecimento em design, prototipagem, propriedade intelectual, análise de materiais, inovação de valor, plano de negócios, modelos de negócios, produção, importação/exportação, análise de custos, marketing, gestão de dinheiro, gestão empresarial, direito dos contratos ...

Requer também estar preparado e se acostumar com respostas do tipo: ”não temos capital”, “já temos nossos próprios projetos”, a “crise está feia”, “investimos somente em curto prazo”, “não trabalhamos com essa linha de produtos”, “não trabalhamos com licenciamento”, “não queremos ter de buscar clientes, fornecedores, para este produto”, “trabalhamos só sob encomenda”, “investimos em empresas, não em produtos” e por aí vai.

Para piorar, no Brasil, não existe programa que apoie, no sentido exato desta palavra, o inventor independente, pessoa física, com recursos para que ele possa validar sua ideia por meio de um estudo de viabilidade técnica e econômica de seu projeto e desenvolvimento de protótipos. Há quem sempre sugira instituições como o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), a Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), Fundações Estaduais de Amparo ao Ensino e à Pesquisa e Núcleos de Inovação dentro das universidades.

Mas a maioria dos programas de apoio, ou são voltados somente para empresas, pessoas jurídicas com CNPJ, ou se mantém apenas como propaganda política, não funcionando na prática. Um requisito distorcido para se ter acesso a programas de aceleração e de investimentos, é você ter ou não empresa constituída, ter ou não uma equipe, ter ou não boas qualificações e diplomas. O mais importante – o grau de inovação e qualidade do projeto – muitas vezes é deixado em segundo plano. Estamos nos esquecendo de que um projeto bem formatado não precisa necessariamente ser fabricado e comercializado pelo inventor. Este pode muito bem estimular empresas emergentes e estabelecidas e realizarem essa tarefa, o que faz aumentar empregos, renda, e impostos que mantém toda uma sociedade.

 

Quem mais inventa no mundo e no Brasil?

É alarmante, mas, de acordo com a Organização Mundial de Propriedade Intelectual, mais de 60 % de tudo o que foi inventado ou aperfeiçoado no mundo até hoje foi a partir de inventores independentes, pessoas físicas. Esses inventores, residentes no Brasil, foram responsáveis em 2017 por aproximadamente 47% dos pedidos de patente de invenção e por cerca de 68% dos pedidos de patente de modelos de utilidade protocolados no INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial).

Apesar dessa importante contribuição, se o inventor não estiver de alguma forma vinculado a um centro de pesquisa, a programas de inovação (demasiadamente seletivos), universidades ou a qualquer outra empresa privada, não receberá um centavo e terá de trilhar um caminho solitário, pedregoso e quase sempre demorado até encontrar – se encontrar – um parceiro para seu projeto. 

Apesar desses problemas, digo que a paixão, a perseverança e o aprendizado contínuo acabam falando mais alto. Trabalhando como inventor independente há cerca de 6 anos, tenho, até o momento, 4 projetos depositados no INPI disponíveis para licenciamento. São eles:

 

1- Sistema de Cooperação no Trânsito:

É um aparelhinho eletrônico de comunicação instantânea que alerta, com frases curtas e objetivas, qualquer problema/situação identificável em um veículo ou nas estradas. A comunicação é feita pelos usuários de outro veículo que também disponha do aparelho e não depende sempre de internet, cujo sinal é ruim em certos locais. Para quem não tiver o Comunicador instalado, concluímos um APP para se comunicar com o Sistema, aumentando chances de escalabilidade.

Este produto será interessante como forma de oferecer informações valiosas ao governo sobre problemas identificados nas rodovias. Por exemplo, conseguindo-se rastrear os locais nos quais a troca da mensagem “buraco na pista” for emitida, o governo saberia onde exatamente precisaria resolver o problema, diminuindo custos e aumentando a eficiência de seus serviços. Alguns exemplos de mensagens: luz de freio queimada, pneu murcho, luz de ré queimada, emergência, pessoa doente no carro, acidente/animal/deslizamento à frente, incêndios, chuva forte, etc.

Também permitirá a comunicação entre órgãos de Governo e motoristas, campanhas de educação no trânsito, enfim, uma integração da comunicação, criando um clima amistoso e de espírito de ajuda pelo condicionamento. Custo de fabricação em larga escala em torno de 20 dólares.

Abaixo dois vídeos explicativos dos protótipos já desenvolvidos:

https://www.youtube.com/watch?v=kD_BZj50zv0

https://www.youtube.com/watch?v=EC_0uHUkCT4

 

2-Sensor lateral para proteger rodas e pneus junto ao meio-fio:

Um sensor que avisa o momento em que o condutor estiver próximo de encostar o pneu ou roda na calçada, em qualquer tipo de movimento – com ou sem uso de marcha-ré. Muito mais simples e barato que projetos tradicionais complexos e caríssimos de assistência ao estacionamento. E atende a uma necessidade de modo mais completo, se comparado com retrovisores tilt down (aqueles que abaixam na hora que você está dando ré para estacionar). É um salvador de rodas e um assistente de estacionamento, só que muito mais barato, por ser dotado de apenas 4 sensores (em larga escala, custo de fabricação ficaria em torno 10 dólares por ponto)

Um jogo aproximado de 4 sensores fazem a leitura do ambiente e detectam a proximidade do fim da manobra e da presença de algum obstáculo. Abaixo um vídeo demonstrando como poderia funcionar o sensor, em uma das formas de fazer do produto:

https://www.youtube.com/watch?v=mOBZNhIKrhU

 

3- Protetor de unhas para portadores de onicofagia (hábito de roer as unhas):

É uma película que reveste as unhas do usuário de forma elegante e discreta, sem causar desconforto algum, pois cobre apenas as unhas sem incomodar o tato, e pode ser usada por homens e mulheres. Cerca de 19% a 45% da população, oscilando de acordo com a faixa etária, roem as unhas e os produtos disponíveis no momento não resolvem o problema para muita gente, como aquele esmalte com gosto ruim.

 

4- Lixa para unhas três em uma:

Uma invenção que concebemos ao observar os tipos de lixa disponíveis no mercado: Trata-se de um produto inédito no mercado, cuja extremidade é arredondada e fina. Suas funções consistem em uma parte para dar brilho e outra para lixar a superfície das unhas. Entre as pontas, no cabo dessa lixa, há uma superfície circular para lixar o contorno das unhas com diversos graus de aspereza — espessura em sua circunferência, conforme preferência do usuário. Ela tem um formato anatômico que impede esfoliações na pele logo ao lado da cutícula.

 

E que vantagens um empresário teria em investir num produto protegido por patente?

A falta de conhecimento de novos produtos e dos benefícios de se explorar uma patente de um inventor é uma espécie de ignorância que custa ao comércio e à indústria milhões de reais anualmente. Quando a ideia do inventor comprova-se viável, é muito barato e lucrativo ao empresário fazer parceria com o inventor, principalmente se levarmos em conta a originalidade do projeto e exclusividade de produção e comercialização, estando livre de concorrência por até 20 anos. O empresário tem ainda valorização do patrimônio intangível de sua empresa, maior valor agregado e condições de enxugar os custos jurídicos de administração da patente, e os de P&D.

 

Saiba mais:

https://paulogannam.wordpress.com/   

Email: pgannam@yahoo.com.br

Linkedin: https://www.linkedin.com/pub/paulo-gannam/51/1b0/89b

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Twitter: https://twitter.com/paulogannam

Paulo Gannam é formado em jornalismo pela Universidade de Taubaté e especialista em dependência química pela Universidade de São Paulo. Há 6 anos atua como inventor e escreve sobre inovação

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