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11 de maio de 2020 | 20h 03
O saudosismo nas pautas futebolísticas
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Redação JC
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Publicado por: Redação JC

Luiz Henrique Cruvinel Lacerda escreve a coluna de Esporte no JC, cursa Jornalismo na Universidade de Uberaba, escreve sobre esporte desde os 17 anos e é apaixonado pelo que faz. Coleciona títulos em blogs esportivos e não consegue recusar uma boa mesa redonda. Escrever é esporte!

Em sua coluna ele traz o tema: O saudosismo nas pautas futebolísticas​​

Podemos dizer que o futebol é pauta principal em boa parte das rodas de conversa brasileiras. Motivo de raiva, discussões, risadas e lembranças, a bola quadriculada recheia os bate-papos e divide opiniões. Nestas horas, há sempre o saudoso, o sentimental, que não consegue enxergar a evolução no esporte e as diversas diferenças por épocas, instrumentos, ferramentas e conhecimento. Discussões rasas como “Pelé x Messi”, “CR7 x Eusébio”, “Neymar x Rivaldo” costumam aparecer com certa frequência, e por isso, devemos nos lembrar o efeito que o tempo tem em nossas memórias.

Os principais pontos que interferem o desempenho de um jogador de futebol foram aprimorados nos últimos anos: o peso da bola, as chuteiras, os meiões, as relações psicológicas, o preparo físico e, claro, o dinheiro. Anos atrás, o jogador que conseguia chutar a bola, que pesava quase 700g em dias chuvosos, torcia para que ela não furasse na ponta estragada de sua chuteira de couro, enquanto rezava para que tivesse feito o gol decisivo no último minuto de partida. Como se preparar para situações tão adversas sem a tecnologia de hoje em dia? Os jogadores lidavam com a condição precária de campos, centro de treinamentos, viagens exaustivas e a pouca renda. Veja bem, as condições da época não favoreciam o desenvolvimento completo dos jogadores e, mesmo assim, nomes como Pelé, Coutinho, Garrincha, Zico, Carlos Alberto Torres estão marcados na história. Há um distanciamento não só temporal, mas tecnológico, físico e psicológico.

Hoje, com o avanço das tecnologias e o investimento altíssimo no desempenho de cada jogador, o futebol é diferente. A forma de enxergar o esporte mudou, as regras mudaram, e o que assistíamos no passado já não é mais realidade. Jogadores bons enfrentarão jogadores bons, não importa a década em questão. O distanciamento temporal de gerações não pode pôr em xeque a qualidade de seus jogadores contemporâneos, tampouco menosprezar os que vieram antes, uma vez que cada período teve suas dificuldades e privilégios. A evolução da forma de pensar o esporte deixou o nível mais competitivo, interativo e exposto. Jogadas são analisadas dias antes do jogo, jogadores são mapeados e dissecados por mesas de debate na televisão, tudo isso para que os times possam se preparar da melhor maneira.

O saudosismo cega. É preciso enxergar as diferenças entre gerações e aplaudir o que de melhor cada uma pôde oferecer. Chega de debates rasos. Entre Pelé e Messi, no entanto, fico com o que tem três Copas do Mundo.

 

 

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