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27 de fevereiro de 2020 | 02h 06
Posição x Função: Uma Pauta Perdida
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Publicado por: Redação JC

                                Luiz Henrique Cruvinel Lacerda escreve a coluna de Esporte no JC.

Em sua coluna ele traz o tema: Posição x Função: Uma Pauta Perdida

A presença de três volantes segrega opiniões e destoa da concreticidade das formações táticas. Limitar as atribuições dos jogadores à sua posição no papel tem desdobramento devastador nas análises futebolísticas. Veja bem, o futebol jogado há décadas não é o mesmo de hoje. A tecnologia, a fisioterapia e o profissionalismo se aperfeiçoaram, e daí surge um novo conceito: a polivalência.

O lateral deixou de marcar o ponta para apoiar o ataque; o centroavante começou a pisar fora da área; o goleiro começou a jogar com pés; e os volantes, claro, deixaram ser os cães de guarda dos zagueiros. Respeitadas as características de cada um, os volantes, responsáveis pela transição da defesa para o meio campo, hoje recebem funções dentro de campo capazes de tanto apoiar o ataque, quanto proteger a defesa. Ilustro da seguinte forma: o meio campo com Kanté, Pogba e Matuidi é, a priori, formado por três jogadores que marcam, ou seja, são volantes, com posições premeditadas; estão ali para assegurar a impermeabilidade de seu sistema defensivo.

Não é bem assim. Os três participaram da maior parte das chances de gols dos Bleus na Copa da Rússia, apoiando seus finalizadores e ditando o ritmo no meio-campo. É claro que o conjunto da obra encarece a vista, mas a função do meio campo francês está longe de ser somente defensiva. Pogba, por exemplo, foi o segundo jogador com mais chances criadas (09) e o segundo da equipe que mais desarmou na competição (13). Aqui, a imposição e o vigor físico facilitam o desempenho da seleção francesa, uma vez que seus volantes começam a pressionar a defesa adversária, forçando erros e gerando oportunidades. Tudo isso se dá pelo bom aproveitamento das características de cada um e da clareza em relação ao que devem ou não fazer.

É natural, contudo, que mantenhamos a ideia de que um volante não faz o papel do meio campo articulador. E está tudo bem. De fato, não faz, mas ter o “camisa 10” não é a única maneira de ameaçar o adversário. O Internacional de Porto Alegre, por exemplo, conta com volantes de muita imposição física e poder de fogo: Patrick, Rodrigo Lindoso, Edenilson, Musto e Boschilia. Não é motivo de espanto ver a formação tática e encontrar quatro destes na meiuca. A capacidade de pressionar, brigar e criar chances favorece jogadores com esse perfil e molda a tendência do futebol nos últimos anos. Vale lembrar, leitor, que o Real Madrid tricampeão europeu jogava com três volantes: Modric, Casemiro e Kroos, tal como o Liverpool desta temporada fenomenal: Henderson, Wijnaldum e Fabinho.

O futebol é dinâmico, fluente e flexível. Todos os estilos de jogo são bem vindos, desde que respeite sempre o princípio fundamental do jogo: a vitória. É importante não tomar as formações do papel como absolutas. Assista, discuta e compreenda mais sobre o que cada um faz dentro de campo.

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