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03 de fevereiro de 2020 | 19h 09
Valverde e seus capitães
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Redação JC
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Publicado por: Redação JC

                                           

                                Luiz Henrique Cruvinel Lacerda escreve a coluna de Esporte no JC.

Em sua coluna ele traz o tema: Valverde e seus capitães

A derrota diante o Atlético de Madri no último dia 09 sacramentou a demissão de Ernesto Valverde do comando técnico e tático do Barcelona. O anúncio oficial saiu apenas na segunda, 13, mas já era esperado por boa parte da imprensa catalã. A insatisfação dos torcedores com a forma de jogar e com os resultados vexatórios na principal competição de clubes do mundo juntou-se ao descontentamento visível dos jogadores e impossibilitou a permanência do espanhol. E é aí onde eu quero chegar.

A responsabilidade sobre as eliminações seguidas na Uefa Champions League e pelo futebol pouco envolvente apresentado caiu direto nos ombros de Valverde. É de tamanha ignorância não entender suas falhas como técnico, mas maior ignorância ainda é achar que a demissão soluciona os diversos problemas da equipe culé. Seus capitães já não conseguiam ditar o clima do jogo e tampouco comunicar ações dentro de campo; o que pode ser observado nos gols sofridos: cabeça baixa, olhar perdido, foco em Messi. A sobrecarga no astro argentino vem deste as orientações táticas até o descompromisso de seus companheiros. O resultado disso? Um time sem padrão, sem coração, sem esperanças.

Existe uma certa candidez sobre a imagem de Lionel Messi, Gerard Piqué e Jordi Alba, três pilares fundamentais na organização pragmática do Barcelona 18/19. As poucas e rasas entrevistas dadas por esses jogadores passam a sensação de incapacidade de liderança, além de facilitarem o trabalho dos que pegam o treinador como único culpado. Há crise de estabilidade. Não se sabe em quem confiar. Enquanto por um lado o técnico apanha de perguntas bem elaboradas e cobranças fajutas, por outro saem de fininho os intocáveis.

O clima se tornou insustentável. Os dois títulos da Liga Espanhola não conseguiram manter a credibilidade do trabalho de Ernesto, e seu vestiário já havia lhe dado as costas há muito tempo. Vale a lembrança, leitor, das diversas outras passagens conturbadas de treinadores pelo Barcelona. Tata Martino e Tito Vilanova se quer ficaram um ano completo no clube. Até Luis Enrique, ídolo, pisou em ovos quando sofreu duas goleadas para PSG e Juventus, respectivamente, com o trio Messi, Neymar e Suárez em campo.

O Barcelona aposta agora no firmamento de sua filosofia de jogo. Traz Quique Setién até 2022. O ex-treinador do Real Bétis ficou conhecido por não abandonar seu estilo e valorizar a posse de bola. Em bom espanhol, Quique soltou: “La propuesta de fútbol es innegociable”, ou seja, sua proposta de jogo não é negociável. Perdendo ou ganhando, o importante é manter o padrão.

Na metade da temporada, o desafio do novo técnico é achar o futebol vistoso do Barcelona e evitar exibições desastrosas.

Com a saída de Valverde, é preciso olhar com cuidado os problemas de responsabilidade no vestiário do Barcelona.

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