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25 de março de 2015 | 15h 40
Rap Nacional: entrevista com os rappers uberabenses Toi & DJ Nene
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Rodrigo Tubaraum
tubaraum.loc@gmail.com
Publicado por: Rodrigo Tubaraum

Conheça um pouco mais sobre a carreira dos músicos que há 4 anos se juntaram pra fazer rap e se tornaram conhecidos no Brasil

Por Rodrigo Tubaraum

Salve salve simpatia! Hoje vamos falar de Rap Nacional com dois expoentes do segmento em Uberaba que começaram a desbravar o Brasil depois de tanto tempo na música. Conheçam hoje os uberabenses Cairo Damasceno Silva de 27 e Ederson Leite Lemos de 37 anos, conhecidos como Toi e DJ Nene. O primeiro é gerente de uma skate shop e o outro, além de DJ é restaurador de antiguidades. Ambos concluíram o segundo grau e são casados. Toi com Ariane, grávida de Alexandre, primeiro filho do casal e Nene com Angelita, pais de 3 filhos; Eduarda, Dylan e Klarck. Apesar da diferença de idade, os dois resolveram formar um duo em um único objetivo: fazer rima com música de qualidade e somando ao rap. Vamos conversar com duo de rappers Toi e DJ Nene.

Como pintou a chance de entrar para a música?
Toi:
Começou com o skate. Veio às primeiras rimas e depois foi ficando cada vez mais sério.
DJ Nene: Desde os anos 80 eu já era envolvido na música. Inicialmente curtindo e logo mais no final da década, adquirindo meus primeiros discos de vinil, os quais já eram recheados da boa música eletrônica. Sendo assim, adquiri os equipamentos e comecei a discotecar em festas locais.

Quais foram as principais influências no inicio?
Toi:
Wu Tang, RZO, Sabotagem, Doctor Mcs, RPW, Consciência Humana e Locosmotiva.
DJ Nene: Inicialmente as influências eram de bandas e grupos de música eletrônica como The Prodigy, Altern 8 e vários outros grupos que comandavam a cena no inicio dos anos 90.

Já são quantos anos na música?
Toi:
14 anos ativamente no rap.
DJ Nene: Já se vão em média 20 anos envolvido na música.

Já conseguem ganhar dinheiro só de música?
Toi:
Sim.
DJ Nene: Já consegui ganhar algum dinheiro com música, mas ainda não vivo totalmente dela.

Qual a principal dificuldade de ser artista do rap hoje?
Toi:
Acredito que as mesmas dificuldades de todo artista independente. Falta de apoio, estrutura, dificuldades, mas isso são barreiras que nos mantem cada vez mais fortes. 

DJ Nene: Para nosso grupo a dificuldade seria a posição geográfica ou a distância dos grandes centros onde a cultura do hip hop é mais divulgada. São Paulo, Rio e várias outras capitais. Em geral o que atrapalha ainda seria o preconceito ou aceitação por parte de quem ainda acha que o rap sempre será uma música somente para os guetos.

Qual era o sonho de vocês na adolescência?
Toi:
Ser skatista profissional.
DJ Nene: Viver e se manter apenas da música.

Cresceram em qual bairro de Uberaba?
Toi:
Valim de Melo .
DJ Nene: Maior parte da vida no Volta Grande.

O que costumam ouvir quando não o rap?
Toi:
Sou um cara que escuto todo tipo de música e estudo muito para cada vez evoluir mais musicalmente. É muito soul, reggae, jazz, MPB, samba, muita black music em geral.
DJ Nene: Black music, MPB em geral e nas horas de extravasar, tirar um pouco do stress, música eletrônica dos anos 2000.

Quando e como foi que pintou a ideia de fazerem um duo?
Toi:
Surgiu em 2011. Na época estava solo e já algum tempo atrás de um DJ. Ele é algo essencial no Rap por que é o suporte do mestre de cerimônia nos shows e era uma coisa que faltava no trabalho. Então convidei meu parceiro que é um cara muito profissional e assim formamos a dupla.
DJ Nene: Início de 2011 após ver algumas apresentações do meu parceiro e perceber que as letras eram de boa qualidade, sem apologias. Logo em seguida acabei recebendo o convite dele.

De onde vem as inspirações para as composições e articulações de bases?
Toi:
Quando componho todas as letras geralmente escrevo sobre alguma parada que aconteceu comigo, uma coisa que vivi. Sou muito autobiográfico e gosto de por minha realidade nas letras. Sempre com uma mensagem positiva pra quem esta ouvindo. As batidas são feitas sempre em parceria com algum beatmaker, produtor de rap que inicia tudo primeiro. Em seguida pego essa batida, vem o tema e assim escrevo. Depois o Nene completa com algum lance de discotecagem, uma colagem ou algum scrath pra ficar bem a nossa cara mesmo. Sempre bem Hip Hop. É a nossa marca registrada.
DJ Nene: A inspiração vem de grandes mentores do seguimento no Brasil em vários gêneros e também através de alguns estudo da black music americana.

Quem são os artistas da velha guarda do rap que vocês admiram?
Toi:
Thaide, Pepeu, Racionais, Bazaka, GOG, Rakim, Krs One, Rum DMC.
DJ Nene: Racionais MCs.

Quais os principais artistas da nova geração que vocês gostam?
Toi:
Gasper, Rael, Emicida, Kdu Dos Anjos, Sintese, Sant, Rashid, Kamau, A Thopa H2, Rapadura, Dragões de Komodo, Tabata Alves e vários.
DJ Nene: Emicida, Criolo, Rael da Rima, Projota, Marechal, Haikass e vários outros da nova geração.

O que acham da aproximação do rap com outros nichos musicais e outras camadas sociais?
Toi:
Acho muito loco isso. O rap é música e a música é pra todos. Não tem limites. Só existe duas coisas: o som bom e som ruim. Temos que conquistar espaço, expandir sim, só que sempre mantendo a nossa identidade, o que somos realmente e sem esquecer da onde viemos.
DJ Nene: É muito importante para disseminação da música brasileira em geral. O rap deixou de ser só favela. a mesma música agora tem seu respeito e seu diferencial que seria não esquecer de suas raízes, ser a ponte para os menos favorecidos, através dos projetos sociais.

O que falta para o rap ser aceito e acolhido no mercado fonográfico brasileiro?
Toi:
Trabalho é a chave de tudo. Se profissionalizar cada vez mais. Chegar pesado de igual com qualquer estilo musical.
DJ Nene: Na verdade existe um grande interesse do mercado fonográfico no rap. Só que os grupos, os artistas do seguimento ainda estão cada vez mais se organizando para ter a sua estrutura e soltar a sua música sem fronteiras, preconceitos e pra qualquer público, independente de gravadoras ou contratos comerciais.

Quantas composições já foram feitas e qual foi a primeira de vocês?
Toi:
Quantas nem sei, mas componho todo dia. Da primeira nem lembro mais. Tem muito tempo, mas lembro que era uma parada bem simples. (Risos)
DJ Nene: Desde que iniciamos, existe um grande montante de composições, os quais cada um se inteira do que sabe mais, respeitando a opinião do outro, sendo nas letras ou parte instrumental.

Gostariam que seus filhos fossem do meio musical?
Toi:
Com certeza vai ser minha continuidade.
DJ Nene: Meus filhos já acompanham nossa carreira, até mesmo bem de perto podendo frequentar até mesmo alguns shows quando o horário favorece. De qualquer forma, a música sempre é bem apresentada a eles, mas não podemos obrigar eles a seguir o estilo. Tem que ser de uma forma natural e se escolherem outro caminho paciência. Serão respeitados de forma que sempre tenham responsabilidades no que forem fazer.

Qual foi a melhor parceria musical que fizeram até aqui?
Toi:
Então, sempre participamos de parcerias com vários artistas. Outros até de outros estilos musicais. Mas na minha opinião uma que foi especial foi em 2011, quando o Emicida me chamou no palco para rimar junto com ele no seu show aqui. Foi bem louco! Temos vários parceiros em todos os cantos.
DJ Nene: Estamos em um processo de acolher parceiros em todo o Brasil e se possível até mesmo fora do pais. Já tivemos importantes parceiros aqui em Minas com o Duelo dos MCs de Belo Horizonte, Juiz de Fora, Ribeirão Preto e outras cidades. Já estamos pra fechar a parceria com produtores de rap em São Paulo, capital.

Fale um pouco sobre o novo disco.
Toi:
“Pra Chegar” esse é o nome do trabalho que será lançado em um formato de EP, com 7 faixas, alguns vídeoclips e um documentário com um show de estúdio feito no estúdio. Os sons foram gravados mixados e masterizados no estúdio do meu parceiro Jonas. As produções são de Skeeter, Victor Beats, Jonas e Ulisses com as participações de Daniela Daia e Marcelo Taynara. Um trabalho bem musical que mostra nossa evolução.
DJ Nene: O novo disco esta com a cara mais moderna e músicas que podem atingir a maior parte das classes sociais, podendo ser tocado em um grande festival ou evento de rap. Também em qualquer pub, boate que não seja do mesmo seguimento, logicamente, sem perder a essência do nosso trabalho e sempre conservando nossas raízes.

E esse vídeo lançado nas redes sociais?
Toi:
O trabalho conta com participação especial da cantora uberabense Daniela Daia no refrão. A produção ficou por conta do beatmaker Skeeter que já trabalhou com artistas como Emicida, Projota, Rashid, Lívia Cruz, Síntese e vários outros. Foi filmado e editado pelo estúdio Alex Pacheco, um dos melhores de Uberaba e região. No vídeo tem um história com nosso parceiro Thomas que mostra a vida de um artista compondo, em estúdio e indo numa emissora de rádio onde teve a sua participação especial, sendo você mesmo, o parceiro radialista Rodrigo Tubaraum. Um vídeo bem profissional e de grande qualidade pra mostrar o pap pesado na cena.
DJ Nene: Acabamos de lançar esse vídeoclipe que tem uma boa aceitação nas redes sociais. Isso deve se a fácil aceitação pela música, com participação de músicos da MPB, grandes produtores na gravação e no instrumental do disco, assim como na própria produção do mesmo.

Qual a contribuição das redes sociais no trabalho de vocês?
Toi:
É hoje o que move todas as engrenagens, a divulgação os contatos a troca de informações, tudo.
DJ Nene: Além do trabalho físico bem empenhado não podemos deixar de citar a grande expansão da música através das redes sociais, que hoje praticamente move a carreira da maioria de artistas do seguimento.

O que ainda é uma grande dificuldade de vocês na carreira?
Toi:
Ainda a falta de estrutura para colocar todas as ideias em prática. Mas o trabalho não pára.
DJ Nene: Hoje como ainda não vivemos totalmente da música, encontramos algumas dificuldades que poderiam ser solucionadas por algum produtor do seguimento. a propósito de conseguirmos shows em grandes cidades em vários eventos e esparramar a música em todo Brasil. Infelizmente ainda não podemos deixar tudo de lado e correr atrás desse sonho que com certeza de uma forma ou de outra ainda vai ser alcançado.

Como conciliam os shows com o trabalho do dia a dia?
Toi:
Fazemos muitos shows. Estamos direto na estrada. É difícil conciliar família e trabalho mais sempre tem um jeito programando bem a agenda.
DJ Nene: Estamos cada vez mais nos preparando para um momento que pode ser a continuidade da carreira e por isso já estamos conseguido nos adaptar com os horários e dias de trabalhos das nossas atuais profissões.

E a Batalha do Calçadão? Como começou e no que consiste, o objetivo?
Toi:
Sou apresentador e realizador junto com os parceiros Nene e Thomas. A Batalha do Calçadão é uma batalha de MCs que acontece quinzenalmente na cidade de Uberaba já há quase 4 anos, onde além dos MCs sempre recebemos vários shows de vários artistas de todos lugares e mais as rodas de break. O projeto começou apenas com uma roda de MCs sem nenhuma estrutura e poucas pessoas. Em 2011, 2012 e 2013 realizamos com uma pequena caixa de som e a partir de 2014, conseguimos o apoio da Fundação Cultural da cidade realizando todo o ano com uma boa estrutura fornecida pela prefeitura. E assim o público aumentou muito chegando a mais de 500 pessoas numa só edição. Viemos trabalhando sempre para estruturar o evento de forma cada vez mais profissional. Realizamos em 2014 em parceria com a Família de Rua de BH uma pré eliminatória do Duelo de MCs. Temos vários MCs muito bons, grandes talentos aqui. A ideia do projeto é mostrar o Hip Hop pra que novas pessoas vejam a cultura e se encontrem nela como a gente se encontrou. Em 2015 seguiremos na luta.
DJ Nene: É um projeto realizado no centro da cidade com o propósito mesmo de colocar em prática a arte da rima e do improviso. Atualmente é um evento que reuni de MCs, rappers, b-boys, DJs , grafiteiros da cidade ou várias partes do Brasil. Tudo isso para difundir a arte da rima e do movimento Hip Hop em geral.

Por que esses apelidos de vocês?
Toi:
Veio do skate tipo brinquedo. Não gostava muito. Ai já viu; o apelido virou mais que um nome.
DJ Nene: Na ocasião, o apelido era de infância que minha mãe me chamava e logo veio o adicional de DJ devido a carreira que escolhi.

O que vocês buscam retratar no rap de hoje com o trabalho do novo disco?
Toi:
Muita musicalidade e uma mensagem boa e positiva de motivação.
DJ Nene: Buscamos nos posicionar diante do mercado fonográfico, e mostrar que temos boa música, que o rap pode ser aceito em qualquer lugar e nunca desistir dos nossos sonhos.

Quem é Toi e DJ Nenê?
Toi:
Um MC e um DJ. É rap em ação.
DJ Nene: É uma dupla composta por um MC e um DJ, com intuito de realizar um sonho através da música rap.

Qual o recado para a rapaziada que curte o Hip Hop e aqueles que ainda não conhecem o trabalho e o novo trabalho de vocês?
Toi:
A todos que acreditam vem junto nesse corre e pra quem não conhece ainda, curta nossa página no Facebook TOI & DJNene e acompanhe o nosso trabalho.
DJ Nene: Ao pessoal que curte o Hip Hop, valorizem também os artistas da sua região. Fortaleça no que puder, seja compartilhando vídeos, informação sobre os artistas e até mesmo adquirindo o material de trabalho dos mesmos. Lembre se que independente do que já foi alcançado ou vai ser, a base sempre é sua região e o fortalecimento das pessoas que acompanharão seu crescimento.

Como encontrá-los nas redes sociais?
Toi:
Então, além da fanpage do Facebook, tem o Twitter, Sound Cloud e Instagram. Sempre Toi & DJ Nene.

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