Tempo em
Uberaba

25 de janeiro de 2014 | 11h 51
Rodrigo Tubaraum em entrevista exclusiva com o prefeito Paulo Piau
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Rodrigo Tubaraum
tubaraum.loc@gmail.com
Publicado por: Rodrigo Tubaraum

 

JUVENTUDE

‘Juventude nos anos 70, época de fazer o Tiro de Guerra, época de fazer universidade, aliás, fiz o primeiro ano universitário e o Tiro de Guerra. No começo, a gente acha muito ruim, mas no final a gente valoriza o grande Exército brasileiro. Mas foi uma fase muito conturbada, fase da ditadura militar que começou em 64 e foi até praticamente 85. Nós não tínhamos liberdade de manifestação e tudo era vigiado. O SNI, o Sistema Nacional de Informação era permeado em todas as instituições, inclusive na universidade, mas nem por isso, nós deixamos de viver a nossa juventude, de ter o nosso convívio de juventude. Isso eu passei na Universidade Federal de Viçosa em Viçosa, Minas Gerais, mas era tudo muito diferente. É preciso que os jovens de hoje estudem o que aconteceu ontem. Hoje nós vivemos uma liberdade. Não vivemos uma democracia plena, estamos em formação, mas vivemos uma liberdade. Nós podemos construir o país que a gente quiser, dependo do grau de visão, da onde a gente quer chegar com planejamento e da responsabilidade coletiva. Portanto, a juventude de hoje, tem tudo na mão. Tudo com a liberdade que tem e até para conduzir os destinos de nosso país, algo que nós não tínhamos naquela época. Tudo era enquadrado, tudo era determinado pelo regime militar e a liberdade de expressão, tanto da imprensa como das opiniões individuais eram tolhidas. É importante que o jovem de hoje, veja o que nós passamos ontem, para que ele tenha a responsabilidade de ter um Brasil amanhã, muito melhor. Com liberdade e responsabilidade, a gente pode construir um país muito mais adequado do que o que temos hoje’.
 
JUVENTUDE POLÍTICA
 
‘A nossa bandeira da época era a bandeira da democracia. Era um país que vivia na ditadura e portanto a nossa bandeira era mesmo da democracia. Com a eleição do presidente Collor de Mello em 1989, realmente foi a primeira vez que esse país, depois da ditadura com mais de 20 anos, vislumbramos a democracia. Hoje está fazendo 23 anos de democracia seguida, recorde na história do Brasil que nunca teve um período tão longo de democracia. Pelo menos de período tido como democrático. Embora a democracia seja a participação e organização da sociedade, estamos longe disso ainda, mas a vida política era muito restrita. Partidos eram enquadrados, só tinham dois e não se podia criar mais. Portanto, era uma participação escondida. Manifestação existia, mas quem se atrevesse a subir num palanque e se posicionar contra o regime, estava enquadrado na lei da época. Muitos jovens foram enquadrados nesta lei, exilados e presos, mas o Brasil se livrou dessa praga chamada ditadura’.
 
MÚSICA DE ÉPOCA
 
‘Gostava de ouvir Geraldo Vandré. Quem sabe faz a hora, não espera acontecer. Era o hino da juventude presa, tolida no seu direito de liberdade, de expressão, sobre tudo, que buscava a democracia. Então, quando a gente conquistava um passinho a mais e não era enquadrado pela desordem, era tudo de bom’.
 
BALADAS
 
‘As farras não deixávamos de fazer com certeza. O estudante tem a sua vida própria. Viçosa era uma cidade pequena, mas as nossas festas, eram os nossos encontros nas repúblicas. As repúblicas de hoje a gente estranha. Elas são tão ativas – apesar que na época, elas eram ativas também. O namoro era a mesma coisa, apesar que nos dias de hoje, acontece de uma forma mais aberta, mais livre. A gente fazia a nossa farra, nosso futebol, os nossos encontros e era muito bom’.
 
MODA
 
‘Calça boca de sino, calça apertada, camisa manchada, cabelo grande e pra cima ... foi um período de transformação quando os Beatles vieram. Eles causaram mudanças nos comportamentos e a juventude foi no embalo, numa grande quebra de paradigma da nossa turma, bastante enraizados. Veio depois a abertura, a globalização que é e foi uma quebra de culturas e comportamentos isolados. Então de lá pra cá, a coisa veio e a liberdade está imperando felizmente’.
 
MEU ESTILO HOJE
 
‘Bem diferente. Depois que a gente casa, constitui uma família, você vai para o trabalho, a sociedade brasileira como um todo, ainda muito crítica, uma imprensa muito atuante e ativa, muitas vezes acaba nos enquadrando, por força do próprio comportamento da sociedade que te cobra um comportamento xis. Falta muita liberdade. Por exemplo, trabalhei 18 anos de terno e gravata como deputado estadual e federal. Ah que vontade de trabalhar sem gravata e de bermuda! Vivemos em um país tropical, então são essas coisas que a gente acha que deve-se romper uma tradição, pra se viver em respeito, o que um ambiente de trabalho requer, mas com menos enquadramento’.
 
RELACIONAMENTO COM OS PAIS
 
‘Os pais daquela época eram rígidos na educação. O diálogo era pequeno, acho que aconteceu com todos, com algumas exceções, mas eu tinha um pai muito legal, uma mãe muito legal e nunca tive problemas de relacionamento com eles. Aliás, o meu pai sempre foi um espelho pra mim, em termo de pessoa, de comportamento e pessoa, muito respeito por ele, mas era um estilo de pai. Pai era o chefe, o chefe mandava e o filho obedecia, embora o diálogo existisse. Eu digo isso, pois na fase de criança e adolescência, existia uma rigidez grande. Apanhei bastante, principalmente quando o meu pai me pegava fumando folha de chuchu. Aí a borracha comia solta. Mas era um jeito, o estilo dele. Agradeço os momentos de correção, pois na vida tudo tem limite. Talvez, os grandes problemas hoje que a juventude encontra, o mundo encontra, sobretudo o abuso das drogas ilícitas, do pai ou família não colocar limites na ação dos filhos. Liberdade é uma coisa, limite é outra. O limite está relacionado com ética que significa eu não interferir no limite do outro. Nós vivemos em sociedade e eu não posso tudo. Eu posso tudo até que eu não atrapalhe o outro. Então, essa falta de limite, faz com que um, passe pela vida atrapalhando o outro. Isso é falta de ética. Portanto, meu pai naquela época, tinha o seu jeito, o modo de conduzir as coisas, me colocar limites e eu achei muito bom. Fiz o Tiro de Guerra que é um outro pai pra colocar limites. Muitas vezes, o que o pai e a mãe, não dão conta de fazer, vem o Tiro de Guerra e faz. Por isso que eu sempre advogo em favor do Tiro de Guerra, dizendo que os 3 mil jovens só de Uberaba que se inscrevem no serviço militar, apenas 200 fazem e ficam 2200 sem fazer. A minha vontade é que esse 2200 fizessem o Tiro de Guerra para encontrar um pouco de limite, sobretudo na disciplina, na vida em sociedade, sem tolir a liberdade’.
 
RELIGIÃO
 
‘Sou católico, de bisavó, bisavô, pai e mãe, embora a vida inteira, a gente tenha respeitado a todas as outras religiões sem discriminação de nenhuma’.
 
TRABALHO NA INFÂNCIA
 
‘Eu dirijo caminhão desde os 7 anos e trator também. Meu pai era produtor rural tinha trator e eu ajudava ele na roça. Eu não tinha fim de semana, não tinha férias e nas minhas férias, eu passava trabalhando. Ah como eu agradeço meu pai por isso! Eu comecei a trabalhar novo e isso não me atrapalhou em nada. Por isso que eu tenho uma divergência muito grande com a lei atual, que proíbe o adolescente de trabalhar sem prejudicar a sua liberdade, o lazer e o seu estudo. Mas a lei é muito cruel. Serviço não atrapalha ninguém. Nem no estudo e nem na formação como pessoa. Pelo contrário. A ociosidade leva aquele velho ditado: cabeça vazia, oficina do diabo. Então nós estamos regredindo em matéria de formação dos jovens brasileiros. Liberdade tem que existir, mas responsabilidade também. Então, muitas vezes o que se impõem hoje em uma legislação de primeiro mundo, fora da realidade brasileira que ainda é um país pobre, isso acaba trazendo um conflito muito grande. Principalmente com os meios de comunicação muito ativos, colocando uma realidade que foge da realidade brasileira, incentivando o consumismo exagerado, fora dos limites e que causa um desejo exacerbado. Por isso também, muitos jovens vão para o mundo crime para poderem realizar seus desejos próprios de ter mais fácil. A vida é de luta. A vida não é fácil. O jovem muitas vezes está pensando que tudo é fácil, sem busca. Sem conquista. Eu não quero censura na imprensa, mas a imprensa também não pode tudo. Ela deve estar condizente com a realidade brasileira. Muitas vezes a um incentivo através dos programas de TV, das novelas, hoje tem a internet também, que se usado bem é um instrumento importante, mas se mal usada é uma arma contra o jovem e a sociedade, faz com que muitos adolescentes desviem seus caminhos pela falta de formação familiar, falta de formação ética da sociedade e muitas vezes a busca da vida fácil. A falta de tudo isso faz com que muito jovens usem o caminho errado, que é lamentável’.
 
ENGAJAMENTO POLÍTICO
 
‘Meu pai foi um militante de sindicato de cooperativa. Foi presidente do MDB, fundador do MDB, Movimento Democrático Brasileiro em 1966, foi presidente do PMDB por 12 anos em Patos de Minas/MG e minha vida escolar foi também de participar de diretório acadêmico, de participar das comissões que existiam, da organização de futebol e de comissão de formatura. Sempre participei de todas e o gosto pela política vem desde cedo, dos tempos da escola’.
 
DIFERENÇAS DE JUVENTUDE
 
‘Na nossa época tínhamos uma informação menor, isso é um fato negativo, é claro, hoje o jovem tem uma informação muito maior. Naquela época, tínhamos menores oportunidades, hoje os jovens tem maiores oportunidades. Portanto, a diferença era essa. Como a vida era mais difícil de se ganhar, nós tínhamos uma ameaça maior em termos de futuro. Tínhamos que batalhar, era o primeiro ponto, para poder ajudar em casa e tínhamos que estudar, se a gente quisesse conseguir uma posição de destaque na sociedade. O jovem de hoje em via de regra, sem generalizar, é lógico, muitos querem ganhar a vida a fácil. Só pensamento de vida fácil e a vida é de luta. Há uma diferença de concepção muito grande que é fruto dessa abertura de culturas, fruto da globalização, facilidade dos meios de comunicação e facilidade de transporte. Então, eu acho que havia um pouco mais de ameaças na nossa geração, em termos da própria sobrevivência, de viver um pouco mais, de viver um pouco melhor, diferente do jovem de hoje que muitas vezes, tem mais facilidade e com menores desafios’.
 
RECOMENDAÇÃO AOS JOVENS
 
‘Que a juventude tenha consciência plena. Que eles possam enxergar que liberdade e diversão são extremamente importantes, mas que tenham a consciência com a nação. Consciência com a nação é a consciência com o todo, com o coletivo. Que se pudesse estudar para trabalhar no conceito de se construir um país melhor, um país que tivesse uma distribuição de renda mais justa, um país que tivesse uma renda per capita maior. Hoje por exemplo, falta nesse país, mão de obra, faltam profissionais preparados para desenvolver todas as atividades desse imenso país de tantas possibilidades. O que falta no jovem de hoje é bandeira. Se a nossa bandeira for a da democracia, está faltando ao jovem de hoje, por exemplo, a bandeira da boa qualidade de ensino que vai refletir no resto. Mas eu não vejo a juventude com bandeiras. Bandeiras de políticas públicas. Há um certo comodismo. Ir pra balada se divertir - o sentimento que a gente tem, estou dizendo no geral, tem muitos jovens responsáveis, - acaba sendo mais importante, do que assumir uma responsabilidade coletiva. Estudar para ter uma boa formação profissional, para construir uma família e evidentemente ajudar a construir um Brasil, são muito poucos. Há muitas vezes o egoísmo para se atender o lado pessoal e simplesmente não ter a visão do coletivo. Então, se eu pudesse fazer uma recomendação ao jovem, seria refletir sobre o que eu preciso para me atender como indivíduo, mas a minha responsabilidade para com o país. Hoje são muitos direitos demandados e muitas vezes os deveres estão aquém dos direitos. Muita gente cobra os direitos, mas esquecem de falar dos deveres para com a pátria e a coletividade’.
 
PLANOS CULTURAIS PARA A JUVENTUDE UBERABENSE
 
‘Eu acho que a cidade não está legal com a juventude local. Eu digo que estamos vindo de um período que não se valorizou a política do esporte, a política da cultura e portanto, nós não demos tanta oportunidade para o jovem poder deslanchar nas suas aptidões e inteligências. Agora estamos trabalhando com a Fundação Getúlio Vargas. Eu não tenho dúvidas que uma das recomendações, será dar apoio a política de fortalecimento da juventude, uma política evidentemente sadia de formação do próprio jovem. Aqui no organograma da prefeitura, não tem nenhuma área de apoio a juventude. Então se depender apenas de mim, politicamente nós vamos definir uma área, seja cultura juventude ou esporte juventude. Minas por exemplo, tem a secretaria de esporte juventude, para que o jovem tenha o seu espaço de debates. O jovem não quer ser manipulado. O jovem quer participar e nós temos que dar esse instrumento para ele realmente dizer do que gosta, do que pensa e ajudar a desenvolver a política pública para ele mesmo. O jovem não quer o prato feito. Ele quer servir evidentemente, a sua própria refeição. Cabe ao poder público dar esse instrumento, essa oportunidade a ele’.
 
COPA DO MUNDO
 
‘Uma cidade ou um país que tem medo de enfrentar os desafios é por que ainda está frágil. Eu concordo plenamente da Copa do Mundo ser feita no Brasil que está caminhando para ser um país limpo. Nós somos um país ainda sujo, por isso que a gente tem tão pouco turista receptivo aqui. Seja o saneamento, o esgoto, o lixo, nós caminhamos a passos largos para que a gente resolva todos esses problemas e que possamos mostrar um outro país. O Brasil é a sexta economia do mundo, tem coisas boas, universidade que é nova, mas já produziu muito, temos a melhor tecnologia do agronegócio no mundo e tecnologia tropical. Nós temos coisas boas. Uma matriz energética extremamente favorável, 50% é renovável e o potencial de desenvolvimento que esse país tem e que precisa ser mostrado. Futebol, esporte e cultura são maneiras de integrar os povos. Muita gente critica os investimentos que estão sendo feitos nos estádios de futebol e aeroportos em função da Copa, mas eu digo que se teríamos que aplicar mais na saúde e na educação, isso é fato. Só que o Brasil no fundo, vai ganhar muito com esse evento também. É um período que a gente inverte os investimentos para um fim específico, mas mostraremos um Brasil lá fora. O mundo não conhece o nosso país como deveria e a Copa do Mundo como as Olímpiadas é uma oportunidade para os estrangeiros conhecerem o Brasil que não é apenas o país do crime, do futebol, do Carnaval e da selva. É um país da sexta economia do mundo com cidades bonitas e organizadas e eu acho que estamos enfrentando um bom problema’.  
 
CASAMENTO GAY
 
‘É um discussão complexa. Dentro do espírito da liberdade, se uma mulher quiser viver com uma mulher, não tem problema. Se um homem quiser viver com um homem, não tem problema. Nós temos a nossa liberdade. Agora a questão do casamento que na nossa tradição recorre a uma igreja, vai ser difícil, por que todas as igrejas são contra essa relação homo afetiva. Tenho visto muito isso na igreja evangélica, agora a igreja católica também que fazem uma crítica muito dura as decisões dos governos em relação a uma realidade. Mas a minha posição é de total respeito a essa liberdade, sem exagero. Existe um certo exagero, por que amar e sobretudo, fazer sexo, no escondidinho é o que vale’.
 
VIDA SEM A POLÍTICA
 
‘Eu consigo me desvincular da política plenamente. Tenho uma vida profissional vitoriosa, nunca precisei da política para viver e nem sobreviver e o dia que eu deixar a política, vou para o mundo da minha vida profissional tranquilamente, sem nenhum problema. A política para mim tem que ser tratada como profissionalismo, mas política não é uma profissão. É um momento que o povo te elege para cumprir uma missão temporária e enquanto você tiver nessa missão temporária, você tem que fazer da melhor maneira possível. Mas jamais encarando isso daqui como uma profissão e sim com profissionalismo’.
 
APOSENTADORIA
 
‘Eu já tenho o fundo da Assembléia Legislativa que chama IPLEMG como se fosse um fundo do Banco do Brasil da Caixa Econômica Federal. Eu contribuo pra ele como participante desse fundo e portanto, a minha aposentadoria dentro do sistema é privado e nisso, eu vou me aposentar. É a minha garantia do futuro, não há dúvida nenhuma, mas dentro de um instituto de alçada privada e cujo o patrão, nesse caso, é o governo, como qualquer empresa que contribui com o INSS de qualquer trabalhador. Então, não leso nesse aspecto em nada no poder público. O cálculo que eu contribuo em relação a minha remuneração, me dá o direito de aposentar por esse instituto chamado IPLEMG’.
 
ENVELHECIMENTO DO PODER PÚBLICO
 
‘O poder público envelhece por que não há renovação. Nós não temos democracia ainda. Nós só vamos ter democracia plena o dia que o diretor de uma escola convidar os pais para irem na escola e os pais irem lá pra saber se a escola está boa e os meninos estão aprendendo. Sem festa, sem churrasco, sem um incentivo outro. Ou se uma cooperativa, sindicato, associação, convidar os participantes para um reunião e discutir o problema do bairro, o problema do sindicato e as pessoas irem, sem churrasco, sem festa e sem incentivo. Essa vai ser a democracia plena. Portanto, não podemos culpar ninguém, por que esse é um processo cultural de mudança. A democracia brasileira está se implantando lentamente. A minha nota para a democracia é 3 de 0 a 10. Toma bomba. Com isso o jovem não tem bandeiras, não tem participado da vida da comunidade, dos interesses da nação brasileira. São poucos os jovens que participam. Tivemos a conferência da cidade, divulgada, publicada, mas tinham poucos jovens. Pouca gente, sempre os mesmos, aqueles que enxergam que tem que discutir os problemas da comunidade. Então eu digo que o poder político envelhece, por que não há substituição, não há pressão dos jovens para candidatar a vereador, candidatar a deputado, candidatar a prefeito. Os jovens, a juventude, precisam ocupar esse espaço, ocupar esse papel. Se não há pressão dos mais novos, os velhos vão ficando. Temos um exemplo aqui no Brasil que se chama José Sarney, com seus oitenta e poucos anos e ainda senador da república. Ele só não saiu, por que não há pressão para que ele saia, sobretudo do jovem, que vem querendo ou queira ocupar o espaço dele. É um exemplo, não houve pressão, ele foi ficando acomodado. O poder público envelhece, a política envelhece, por falta de participação, sobretudo, da juventude. Mas não estou culpando ela. É um processo, a democracia é um processo. E como a nota é 3 de 0 a 10, na minha concepção pessoal, não há como e por que culpar os jovens. É um processo que demanda um tempo. Isso até que a sociedade se organize e a gente faça uma inversão. Ao invés das decisões serem de cima para baixo, como é hoje, seriam de baixo para cima. Eu digo isso, por que um presidente da república, manda demais, um governador manda demais, um prefeito manda demais e a sociedade, manda de menos. Por que? Ela foi tolida? Não. Por que ela não participa’.
 
GOVERNO ANTERIOR
 
‘Não avaliando apenas o governo do Anderson Adauto. O dele também, mas eu diria que existe uma irresponsabilidade com a coisa pública hoje. Os problemas vão acontecendo e não se resolve. Empurra-se o problema adiante, como se isso aqui, fosse um bem pessoal, um bem particular e que a bomba exploda nas mãos de alguém mais pra frente. Eu digo isso, pois onde nós estamos, Centro Administrativo, nesse prédio, tem uma dívida de 40 milhões de reais. Negócios feitos lá trás, não conclusos. Vai para justiça, o tribunal é lento e tem quanto tempo que isso aqui existe? Se você for lá no aterro sanitário, existe uma dívida julgada pelo Supremo Tribunal Federal de 24 milhões de reais. Se você for lá na UPA do São Benedito, foi desapropriado também e não foi indenizado os donos. Se você for na Transmil na Santana Borges, onde a prefeitura tem um equipamento, ali também foi desapropriado, não pago e está em débito. Se você for na FEU/FUMESU, acabou, mas não liquidou. Na Fundação Gastão Mesquita, Ponte Alta, que era uma fundação que substituiu uma escola municipal, a fundação acabou, mas não liquidaram, não deram baixa. Existem as pendências até hoje. O prédio da Fundação Cultural é desapropriado e não pago. Então eu diria pra você que a lei de responsabilidade fiscal do último governo para esse, não foi cumprida. Eu já estou atestando, pois já tenho essa informação e há uma dívida significativa. Mas o pior nem é a dívida. Chama gestão. A gestão pública mais eficiente e desejada é aquela que tem pouca burocracia e muito controle. A pior gestão pública que existe é aquela que tem muita burocracia e pouco controle, exatamente o que acontece aqui na prefeitura de Uberaba. Então dívida e má gestão é o componente que a gente está trabalhando aqui hoje. Não é por menos que estamos com a Fundação Getúlio Vargas para nos ajudar a enxergar o quadro atual e encontrar caminhos. Estamos inclusive nesse momento com a Fundação Getúlio Vargas definindo eixos estruturantes. Poderíamos ter outros eixos estruturantes, mas um deles, eu tenho a impressão, ainda não está definido, será um choque de gestão do município de Uberaba para que nós possamos ter procedimentos corretos e transparentes que não deixem o município de Uberaba tão endividado, defasado e pior, 9 mil servidores com baixíssimos salários, com uma administração impessoal que contraria a boa gestão, seja da empresa pública privada. A gente pegou a situação assim, crítica. Mas o povo não vota na gente para chorar, vota na gente para resolver. Esse é o grande desafio. Temos que consertar o avião andando, por que os projetos não podem parar. Existem bons projetos da administração passada, para ser justo. Temos programas novos, temos desafios de dengue e gripe suína nos assolando, portanto, temos que dar conta do que a comunidade deseja e consertar aquilo que poderia ter sido consertado em tempos de outrora. Mas infelizmente, a irresponsabilidade com a coisa pública ... que também é um problema cultural. Não vamos jogar pedra em ninguém. Era assim que se pensava, mas hoje identificamos isso, como um grande problema que tem na prefeitura. O meu sentimento de vez em quando aqui, é que a prefeitura atrapalha a comunidade de Uberaba. A prefeitura não tem que atrapalhar a sociedade. Tem que ajudar’.
 
CONCORRENTE QUE EU VOTARIA
 
‘Eu disse que naquele momento, que três pessoas poderiam conduzir a prefeitura de Uberaba, pois a experiência é importante. Não adianta a energia do jovem, pois essa questão aqui é complexa. Precisamos da energia do jovem, aprendendo. A experiência é um pré-requisito fundamental para assumir uma prefeitura da complexidade de Uberaba. Eu disse na época três pessoas. Eu me sentia, por que já tinha sido deputado estadual por três mandatos, aliás, secretário do município aqui por seis anos, de agricultura, indústria e comércio, estava no segundo mandato como deputado federal. Conhecia o mundo de Belo Horizonte e Brasília e então eu me sentia competente para assumir o destino de Uberaba, mas achava que o candidato Fahim Sawam, pela sua experiência e o candidato Adelmo, também pela sua experiência, também tinham condições de conduzir os destinos de Uberaba. Sem demérito aos demais nomes que estavam disponíveis, mas eu achava que eles não tinham experiência e formação de vida ainda, para assumir Uberaba. Era a minha opinião a época. Inclusive externei isso e não mudei de ideia’.
 
SHOWS E EVENTOS
 
‘Então, aqui nessa casa é engraçado. Você tem tudo o que precisa e não sobra tempo para fazer aquilo que você gosta. Eu recebi um convite para assistir a São Paulo Indy 300 no Anhembi. A TV Bandeirantes que estava organizando me convidou, mas não pude ir. Teve também o convite para a abertura da Copa das Confederações em Brasília, mas como coincidiu com a Conferência das Cidades, optei por ficar aqui na minha cidade, ao invés de ir divertir lá. Shows, eu assisto de vez em quando. Alguns que acontecem na cidade, seja os promovidos pela Fundação Cultural ou pelos agentes de eventos que Uberaba sempre tem. Eu sempre que posso, estou presente nestas manifestações culturais sim’.
 
MÚSICA ATUAL
 
‘Eu sempre gostei de música sertaneja. Gostava, gostei enquanto era odiado pela sociedade brasileira, gostei quando a sociedade começou a absorver a música sertaneja e gosto hoje como a sociedade que também gosta da música sertaneja’.
 
ESPORTES
 
‘Pratiquei muito. Sou tricampeão pelo Vila Esporte pelo Campeonato Amador de Uberaba. O Vila é o time do meu coração aqui, mas a vida inteira praticamos esportes. A família inteira. Eu e meus filhos. O futebol é o ponto mais importante, só que hoje, no alto dos meus 59 anos com uma artrose no joelho e passando algumas dores é diferente. Mesmo assim, eu nunca deixei de fazer a minha academia. Joguei recentemente uma partida de basquete com os alunos do Tiradentes, fui o cestinha lembrando os tempos de estudante, jogando vôlei, futebol de campo, basquete ... a gente tinha muita energia para isso e lá em casa há uma aptidão também. Meu filho foi profissional por sete anos e portanto, somos uma família do esporte, com certeza. Aliás, participei também de um bicicross na fazenda do Diamantino. Um evento muito interessante, trilha e tal. Meu joelho sentiu, reclamou muito, mas completei o circuito’.
 
NOVELAS
 
‘Não. Primeiro que eu não tenho tempo, e segundo que eu não gosto. Eu não acompanho de ver. Lá em casa assistem, me contam, mas eu não gosto de ser enquadrado nesse consumismo moderno que a televisão coloca na sociedade brasileira dentro de uma relação de mercado. Embora tenha o lado prático de mostrar situações. Mas acho que há um disparate entre a realidade brasileira e o que a gente assiste nas novelas brasileiras. Não tenho nada contra quem assiste, quem gosta, mas eu particularmente, não gosto’.
 
LEITURA
 
‘Leio sim, bastante. O último que li, foi Governança das Metrópoles, aliás não acabei ainda. Estou lendo ele por causa da região metropolitana que estamos discutindo hoje aqui em Uberaba e então preciso estudar um pouco mais. Eu sou de estudar um assunto que eu entro nele. Mas normalmente, eu leio em viagens de avião. É o meu prato predileto. Eu sou de dormir pouco e para eu, a viagem de avião é o melhor lugar para uma boa leitura em dia. Eu gosto de títulos que falam da vida da sociedade, política e também do lado técnico do segmento. Mais administração mesmo’.
 
VIAGENS INTERNACIONAIS
 
‘Fiz sim várias viagens internacionais. Poucas vezes a passeio, mas quase sempre a trabalho em missões. Estive na América do Norte, Europa, na Asia e sou grato por ter tido a oportunidade de conhecer outras culturas. Pela América do Sul já fui muito também. Fico com muita inveja do argentino, pelo seu nacionalismo, pelo americano nem se fala, mas de alguma maneira, viajar é sempre muito bom. A melhor missão internacional que eu fui, foi para Munique numa ação da Confederação Nacional da Indústria brasileira com o governo alemão, discutindo a interação entre os dois países. Eu digo que essa foi a minha melhor viagem de trabalho que eu fiz a convite da CNI’.
 
HOBBIES
 
‘Eu não tenho nenhum em específico. O meu hobby mesmo é trabalhar. No final de semana eu estive em uma conferência aqui de 8:30 a 13h e fico me policiando para não me tornar um alcóolatra do trabalho. Mas consigo compatibilizar o meu trabalho com a minha família. Lógico, que gosto de conversar com os amigos, tomar a minha cerveja, mas o trabalho para mim, é o meu divertimento. O convívio com a família também, principalmente agora com o meu netinho, agora netinha e chegando outro netinho’. 
 
 
Por ROdrIGo TubARauM

 

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