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18 de agosto de 2018 | 16h 14
A economia clássica ou liberal
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Cleide Martins
cleideamartins@gmail.com
Publicado por: Cleide Martins

 

Cleide Martins escreve a coluna de Economia no JC. Cleide Aparecida Martins Barillari é economista, cientista social, professora universitária. Especialista em Economia Brasileira e Mestre em Educação.

 

Em sua coluna a economista traz o tema: A economia clássica ou liberal 

 

Dentro da História do Pensamento Econômico pode-se encontrar uma série de ideias que, observadas dentro do seu contexto histórico, são perfeitamente aceitáveis tanto para quem busca uma ideologia de maior ou menor intervenção do Estado na economia. Durante cerca de três séculos (século XV ao XVIII), o Absolutismo das monarquias europeias agia com total intervenção do Estado na economia, como se todos os negócios e propriedades pertencessem à Coroa. Tudo muito natural para a época. E foi nessas circunstâncias que a economia brasileira entrou no circuito econômico através dos portugueses.

No século XVIII, o economista escocês, Adam Smith, através da sua obra A Riqueza das Nações (1776), apresentou ao mundo as primeiras teorias relacionadas ao funcionamento dos mercados. Essa obra investigava as leis (chamadas de NATURAIS) que regiam uma economia de mercado. As principais leis (OFERTA  e DEMANDA) foram apresentadas para que os intelectuais daquela época pudessem discutir sobre a origem da RIQUEZA. Adam Smith e outros clássicos da economia chegaram à conclusão de que origem da riqueza estava no TRABALHO, tendo como princípio regulador a LIVRE CONCORRÊNCIA.

Os QUATRO princípios basilares da Teoria Econômica Clássica repousam nos seguintes aspectos: liberdade para empreender; respeito à propriedade privada; liberdade e cumprimento dos contratos; e, por fim, a liberdade cambial. Para o clássico John Stuart Mill (1806-1873), era muito importante o papel do que ele chamava, na época, de GOVERNO, para que os contratos fossem cumpridos. Essa observação diz respeito às regras de funcionamento dos mercados e que o Estado deveria ter como papel principal, fazer com que fossem cumpridos os contratos. É o que se chama hoje em dia de AMBIENTE seguro para novos INVESTIMENTOS. Ressaltando que é exatamente o que falta ao Brasil há algum tempo.

Sem regras claras, o ambiente não privilegia os investimentos. Sem os investimentos não há criação de empregos. Sem TRABALHO não há produção de riqueza, de acordo com os Clássicos da Economia e de acordo com a realidade atual brasileira. Todavia, durante algum tempo o ESTADO brasileiro se viu na condição de investidor oficial da economia, esquecendo que o seu papel de PROVEDOR já consumia boa parte dos seus recursos. Ao continuar com projetos fora da realidade, os governantes decidiram que os investimentos continuariam a acontecer na forma de ENDIVIDAMENTO. Então, chegou-se à equação que se tem hoje: Estado endividado, sem condições de honrar seus compromissos constitucionais, ou seja, uma condição de quase insolvência e incapacidade total de pensar em novos investimentos, além, é claro, de não conseguir sequer estabelecer regras claras para novos investimentos privados e estrangeiro.

Em pleno século XXI, o LIBERALISMO ECONÔMICO está fazendo falta ao Brasil. Uma economia com visível capacidade empreendedora que, no entanto, não consegue oferecer condições mínimas para que os negócios prosperem. Do ponto de vista legal, a burocracia arrefece a boa vontade dos pequenos empreendedores, a falta de clareza das regras e cumprimento dos contratos espanta os grandes investidores; do ponto de vista político, descrever o Brasil atual é impossível, praticamente não existe adjetivo para tal; do ponto de vista eleitoral, continua imperando a desinformação generalizada; do ponto de vista das propostas apresentadas pela VELHA POLÍTICA, pode-se afirmar que não há nenhuma novidade. A novidade é redundante: o NOVO. E a proposta NOVA para o Brasil é justamente a ideia do século XVIII: LIBERALISMO ECONÔMICO.

A economia brasileira necessita urgentemente de um CHOQUE DE LIBERALISMO. Não significa mudança de regras, mas sim uma drástica redução das mesmas para que haja LIBERDADE para que a economia e as pessoas possam efetivamente ATUAR. É urgente e necessário livrarmo-nos do peso do tamanho do ESTADO brasileiro. É um retrocesso visível continuar seguindo com essa política de total INTERVENÇÃO do Estado na economia e na vida dos cidadãos. Essa fórmula já não funciona mais em nenhum lugar do mundo civilizado. O que mais precisa acontecer para que as pessoas percebam isso?

Em tempo: no dia 13 de Agosto comemora-se o Dia do ECONOMISTA. Por isso devemos parabenizar o profissional que só é lembrado quando a crise econômica chega e se instala com todas as consequências negativas observadas. Todavia, quando tais profissionais começam a alertar sobre os riscos de determinadas medidas econômicas tomadas, são taxados de pessimistas. Em homenagem a Adam Smith, considerado o Pai da Economia, fica aqui a dica em relação à atualidade dos Clássicos: LIBERALISMO ECONÔMICO JÁ!!!

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