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02 de agosto de 2018 | 11h 48
O Brasil não tem um projeto de nação
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Cleide Martins
cleideamartins@gmail.com
Publicado por: Cleide Martins

Cleide Martins escreve a coluna de Economia no JC, todas as QUARTAS. Cleide Aparecida Martins Barillari é economista, cientista social, professora universitária. Especialista em Economia Brasileira e Mestre em Educação.

 

Em sua coluna a economista traz o tema: O Brasil não tem um projeto de nação

O Brasil, infelizmente, nunca teve um plano efetivo para a construção de uma NAÇÃO. Economicamente falando, fomos formados dentro de um processo colonialista de fornecedor dos recursos necessários para atender às necessidades de uma metrópole. Com o passar do tempo, a sociedade foi se estabelecendo a partir dos projetos particulares dos grupos componentes da sociedade brasileira. Só para refrescar a memória de muitos, a Corte Portuguesa tinha como objetivo buscar os recursos econômicos que estas terras pudessem oferecer; os senhores de terra a exploraram em benefício da sua acumulação primitiva de capital; a classe escrava tinha como grande sonho a possibilidade de FUGIR de volta para a sua nação de origem. Afinal, quem estava a fim de planejar um BRASIL para o futuro?

Com o passar dos séculos, aumentava a população, mas não mudavam os objetivos pessoais e econômicos de nenhuma das partes. Veio a INDEPENDÊNCIA política em relação a Portugal e formalizou-se a dependência econômica em relação aos ingleses, posteriormente, em relação aos EUA e, atualmente, que venha a China. Então, passamos por um período de revoltas, no século XIX, onde províncias no Norte e no Sul tentavam buscar a sua LIBERDADE estabelecendo estratégias de se tornarem independentes do próprio Brasil. A Revolução Constitucionalista de 1932 opunha São Paulo (o estado mais rico do País) ao Brasil. Nos anos de 1980, com a crise econômica de então, os brasileiros deixaram sua Pátria em busca de oportunidades de uma vida melhor em algum lugar do mundo, mesmo que em funções abaixo do seu potencial efetivo.

A atual crise econômica tem mostrado, novamente, a intenção de brasileiros que, segundo muitos, se tivessem a oportunidade de buscar a prosperidade econômica fora daqui, já estariam longe. Isso quer dizer que o brasileiro não confia na própria nação. Mas isso é compreensível, uma vez que NUNCA foi apresentado, dentro da nossa realidade, um PROJETO DE NAÇÃO PARA O BRASIL. Um único aspecto já confirma isso: um plano verdadeiro para a EDUCAÇÃO – o grande pilar para o desenvolvimento de qualquer nação.

Há poucos dias foi publicada uma informação de que ¼ dos ELEITORES brasileiros não concluíram o ENSINO FUNDAMENTAL. É isso mesmo. Quase 40 milhões de pessoas. Outro estudo com divulgação recorrente, dá conta de que o analfabetismo estrutural brasileiro vem crescendo. Já alcança algo em torno de 80% dos cidadãos que se dizem alfabetizados. Para quem não se lembra, analfabetismo estrutural é a INCAPACIDADE de uma pessoa ler e compreender um único parágrafo médio. Não consegue captar a ideia contida ali. E estamos nós aqui defendendo REFORMAS ECONÔMICAS para o Brasil, sem que, na prática, a maioria dos eleitores possa compreender efetivamente o significado delas para o futuro.

Essa situação é compreensível, afinal de contas, o brasileiro foi sendo levado a pensar e agir dentro de um imediatismo inconsequente que revelou uma característica particular que compromete um projeto de nação: o cada um por si e Deus por todos. Isso leva as pessoas a agirem pensando no curto prazo, de preferência com resultados imediatos visíveis; além, é claro, de ter recebido uma educação familiar que sinaliza para que cada um busque resolver os seus próprios problemas, alcançando o seu lugar no mundo que lhe garanta a capacidade de se sustentar. Esse é um dos motivos pelos quais, por exemplo, os jovens brasileiros, em período de crise, abandonem os estudos para ir em busca do sustento. O jovem brasileiro não compreende os gastos com educação (principalmente no nível superior) como o maior INVESTIMENTO que este pode fazer EM SI MESMO.

Já que cada um tem que se virar para sobreviver e a sociedade como um todo acredita que Deus irá resolver os problemas nacionais (aqueles que afetam a coletividade), sempre cresce, em períodos eleitorais, a ideia de que Deus enviará o Salvador da Pátria Amada Brasil. Com essa mentalidade, o PROJETO DE NAÇÃO para os brasileiros é uma ideologia barata inerente ao discurso político em períodos eleitorais. E quando conclamados a participar do processo de mudança vem a famosa e unânime frase: EU NÃO POSSO FAZER. Quem sou eu para influenciar tais mudanças? Mas, esse mesmo cidadão, se tiver uma oportunidade para deixar o Brasil e ir em busca de uma VIDA MELHOR, estará disposto a se arriscar (vide a realidade das fronteiras dos EUA).

Infelizmente, a História tem mostrado que o grande projeto de uma NAÇÃO brasileira NÃO alcançou a parte mais interessada: o POVO brasileiro. Com essa mentalidade, os altos e baixos persistem, pois cada um está correndo atrás da solução dos seus problemas como INDIVÍDUOS e não como COLETIVIDADE. E é um povo que pronuncia com naturalidade um ditado que, pelo jeito, individualmente ninguém acredita: A UNIÃO FAZ A FORÇA. Uma das ironias que se percebe claramente pelos últimos números da corrida eleitoral, é que estes apontam que, em média, 50% dos eleitores ainda não têm candidatos, mas que querem mudanças. E na hora de ir às urnas, não acreditam que a UNIÃO realmente é o único elemento que faz a diferença quando o assunto é o FUTURO. A desinformação do brasileiro o impede de ver que a ECONOMIA brasileira depende da decisão de cada um, mas como esse é um assunto muito complicado (segundo muitos), então é melhor nem perder tempo em se informar sobre isso. Será que existe futuro para a NAÇÃO brasileira?

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