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27 de julho de 2018 | 23h 17
A economia que eu quero...
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Cleide Martins
cleideamartins@gmail.com
Publicado por: Cleide Martins

Cleide Martins escreve a coluna de Economia no JC, todas as QUARTAS. Cleide Aparecida Martins Barillari é economista, cientista social, professora universitária. Especialista em Economia Brasileira e Mestre em Educação.

 

Em sua coluna a economista traz o tema: A economia que eu quero... 

É hora, então, de imaginar qual a economia que o brasileiro quer e de que como seria bom ver esse gigantesco País funcionando. E se as pessoas pensam que isso é possível fora do equilíbrio econômico estão muito enganadas. O século XX foi pródigo em apresentar tentativas de total interferência governamental na economia, assim como, também, países que respeitaram as leis de mercado e tentaram interferir menos. Após a Segunda Grande Guerra os dois extremos se confrontaram, ou seja, de um lado, o governo com o controle total sobre a economia e, de outro, uma interferência menor, no sentido de garantir o mínimo necessário para o desenvolvimento da sociedade. Esse desenvolvimento social se traduzindo em melhores condições de vida para as pessoas, para o ser humano.

E a economia brasileira? Como se comportou do início do século XX para cá? Com fortes intervenções de governos na economia e com raríssimas tentativas de deixar o mercado e as suas regras seguirem seu curso normal. Não é o caso de se avaliar o posicionamento político dos governos, isso, na verdade, não tem nada a ver com as práticas econômicas adotadas ao longo do tempo. Lá no final do século XIX, havia uma visão política que se apresentava com o seguinte lema: “Nada mais CONSERVADOR do que um LIBERAL no poder e nada mais LIBERAL do que um CONSERVADOR no poder”. Trazendo para os dias atuais, os discursos políticos para os rumos da economia se traduzem assim: Nada mais à DIREITA do que um esquerdista no palanque e nada mais à ESQUERDA do que as práticas dos direitistas de plantão.

Na verdade, em termos econômicos, o discurso é sempre o mesmo: “O QUE O ELEITOR QUE OUVIR”. E a ECONOMIA com isso? Se houvesse mais liberdade econômica, haveria mais investimentos e mais empreendedorismo? Se valessem as LEIS DE MERCADO, as pessoas confiariam mais do que na LEGISLAÇÃO (JUDICIALIZAÇÃO) em vigor? Será que dá para confiar no que se vê hoje em dia? Um Judiciário querendo governar, um legislativo querendo julgar e um Executivo querendo legislar. É realmente muito confuso e o resultado não é outro senão a DESCONFIANÇA total nas instituições brasileiras e, consequentemente, o aprofundamento de uma crise que chamam de econômica, mas que já se estendeu para todas as esferas de uma sociedade que se perde na falta de princípios morais e éticos dos cidadãos e da sua representação política.

Se fosse possível extinguir com TODAS AS LEIS brasileiras hoje que interferem diretamente sobre o funcionamento da ECONOMIA? Como o mercado brasileiro reagiria? Pensemos numa realidade onde as pessoas passassem a ter consciência de que a LIBERDADE vem acompanhada da RESPONSABILIDADE que cada um deve ter sobre o seu PRÓPRIO NEGÓCIO (seja pessoa física ou jurídica) e que ninguém deve interferir. Será que estaríamos pior do que o que se vê atrelado à essa crise?

A economia que eu quero é aquela em que os administradores públicos respeitem as regras naturais de mercado que se relacionam com a natureza humana de criar e recriar o progresso. Do ponto de vista antropológico, o que se viu ao longo de milhares de anos foram sociedades humanas procurando alternativas materiais para garantir a sua sobrevivência, sem que houvesse sistemas de governo ditando regras de como ou o que fazer para a sobrevivência. De repente, em um único século, o ser humano se acha apto a ditar, apenas com palavras e ideologias de plantão, as regras materiais de existência para todos os povos. Nesse caso, desrespeitando, inclusive, culturas muito diferentes.

Imagem: reprodução Internet

A economia que eu quero é aquela onde a inteligência e espiritualidade humanas sejam capazes de buscar naturalmente os caminhos para a solução dos problemas enfrentados, sem que isso resulte em mais problemas, muitas vezes de solução quase mágica. Um exemplo disso são os efeitos sobre o meio ambiente que vem trazendo consequências devastadoras para todos os povos. Nesse caminho de dificuldades está uma questão crucial para a vida nesse planeta: a água.

A economia que eu quero é aquela onde quem pode paga mais do que quem pode menos. Isso parece tão óbvio e simples, mas na prática é a tortura de todas as economias que têm problemas morais e éticos na sua administração pública. Se os recursos fossem administrados com a devida transparência e sendo respeitados quanto às suas destinações, certamente essa conta fecharia sempre. Qual a sociedade humana que não gostaria de UNIR seus esforços em favor de uma vida melhor para todos? Muitas, certamente, mas a sociedade brasileira é muito resistente quando o assunto é COOPERAÇÃO ou seja, a consciência de que somando cada UM é que se pode formar o TODO. Afinal, este é o País dos espertos, ou seja, aqueles que desenvolvem os esforços pessoais para levar vantagem em tudo (Jeitinho brasileiro de praticar crimes sem ser punido).

A economia que eu quero é aquela com muita inteligência, pesquisa, desenvolvimento e progresso, ou seja, com EDUCAÇÃO e não com QI. Quem Indica tem o poder de levar a pessoa errada para o lugar errado, fazendo tudo errado. MÉRITO era aquilo que o ser humano da antiguidade, antropologicamente falando, sabia que se referia à sua capacidade de colocar em prática para garantir a sua sobrevivência. Era a sua capacidade de trabalhar para alcançar a sobrevivência e depois, com o passar do tempo, garantir uma melhor qualidade de vida. Hoje em dia, todo mundo quer o direito de ter qualidade de vida, mas que outro trabalhe em seu lugar. Por enquanto é isso...

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