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18 de julho de 2018 | 19h 28
Uma “luz” para a economia
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Cleide Martins
cleideamartins@gmail.com
Publicado por: Cleide Martins

Cleide Martins escreve a coluna de Economia no JC, todas as QUARTAS. Cleide Aparecida Martins Barillari é economista, cientista social, professora universitária. Especialista em Economia Brasileira e Mestre em Educação.

 

Em sua coluna a economista traz o tema: Uma “luz” para a economia

Qualquer escritor necessita de inspiração para produzir qualquer obra, ninguém duvida disso. Escrever uma coluna sobre ECONOMIA, no Brasil, tem se mostrado uma atividade hercúlea. Na maioria das vezes, o que se busca é escrever algo que possa agradar aos leitores. A leitura deve ser um momento prazeroso. Nesse sentido, nesta semana a busca foi por algum tema que pudesse trazer um pouco mais de otimismo àqueles que nos acompanham. Então, um tema que é muito caro ao brasileiro tem a ver com o fornecimento de energia para que empresas e pessoas possam cumprir minimamente suas atividades diárias.

Algumas informações dão conta de que houve um aumento expressivo na produção de energia eólica no Brasil, assim como aumentou, também, a utilização de energia solar. Notícias alvissareiras, enfim. O Brasil abrindo espaço para a utilização de energias limpas e renováveis, isso é muito louvável. No entanto, para variar um pouquinho, existem alguns MAS nessa história. Os custos dessas fontes de energia foram informados pelo Operador Nacional do Sistema (ONS – a Agência Reguladora do sistema elétrico brasileiro) e aí o ciclo de más notícias retorna. Para cada megawatt/hora (MWh) produzido, os custos são de R$ 79,00 para a energia elétrica oriunda da Usina de Belo Monte (exemplo citado); R$ 100,00 para a energia solar; R$ 120,00 para a energia eólica (mas o vento custa tudo isso?); R$ 220,00 para a energia originária das termoelétricas (movidas a gás e biomassa); por fim, R$ 480,00 para a energia nuclear (nosso sistema de custos baseados em Angra III). Em tempo: tais informações oficiais acabam parecendo ser escolhidas com cuidado para que possa soar palatável ao brasileiro interessado no assunto.

Como foi possível perceber pelos números acima, tudo custa caro nesse País. Em pleno mês de julho, com bandeira vermelha na conta de energia elétrica, os brasileiros deveriam começar a se inteirar mais do tema em questão. Outro detalhe não pode ser esquecido: esse período é de seca no Brasil. Portanto, é considerado “normal” que a conta de energia fique mais cara. Pode ser, pode não ser, é mais provável que talvez... quem nunca ouviu essa expressão? Outra notícia corrente afirma que os reservatórios necessários para abastecer as hidrelétricas estão muito baixos em função da pouca chuva no verão passado. Também não é novidade, a culpa é da chuva e não de planejamento.

Um outro detalhe que se deve observar diz respeito à crise econômica enfrentada pelo Brasil atualmente. Agora talvez seja a hora de o leitor se perguntar: e se a economia estivesse operando em pleno emprego (a todo vapor), haveria energia para suprir a demanda? A resposta, caríssimo, é um sonoro NÃO. Não haveria energia para atender a demanda do setor produtivo e das famílias nesse cenário. Possivelmente, as situações de “apagão” seriam a regra e não a exceção. Há pouco tempo, no governo Dilma, as oscilações na oferta de energia já se faziam presentes, antes mesmo da crise se instalar no patamar que está hoje.

Se a economia brasileira pretende retomar um longo ciclo de crescimento no futuro próximo, é bom que se atenha ao fato de que existem limitações que não estão sendo consideradas na atual conjuntura. Uma delas é o fornecimento regular de energia, a um custo razoável para todos. Nesse caso, os investimentos para o setor são imprescindíveis ANTES do estabelecimento de um contexto positivo ao crescimento econômico. Existem outras variáveis que limitam esse crescimento, mas que não há espaço agora para observações.

Nos últimos anos tem ocorrido uma queda na demanda por energia em várias frentes: primeira, se as empresas estão produzindo abaixo da sua capacidade produtiva, significa economia de energia; segunda, se existem tantos desempregados, estes estão cortando custos juntamente com suas famílias, isso, também, significa economia de energia; terceira, pessoas que estão reequilibrando seus orçamentos precisam economizar energia. Portanto, o cenário atual mostra que em muitos aspectos a economia de energia pode ser comprovada.

Onde se quer chegar com essas observações? No fato de que, no Brasil em crise, a energia está sendo poupada à força e não por consciência dos cidadãos. Nem o setor público e nem o setor privado estão fazendo os investimentos necessários visando um novo ciclo de crescimento. Quando esse novo ciclo chegar, irá esbarrar em limitações que surgirão para todos na forma de mais consumo de uma energia que não foi produzida. A grande ironia é que o desemprego pode diminuir, mas o Brasil pode ficar no escuro. Será que é tão difícil para os estrategistas e planejadores de plantão enxergar isso? O leitor já imaginou o caos na hipótese de as pessoas não terem nem como recarregar a bateria dos celulares? Seria engraçado, se não fosse trágico. Mais uma vez, a ideia de ser otimista não vingou.

 

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