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11 de julho de 2018 | 20h 49
A economia do ponto de vista dos pré-candidatos à presidência
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Cleide Martins
cleideamartins@gmail.com
Publicado por: Cleide Martins

Cleide Martins escreve a coluna de Economia no JC, todas as QUARTAS. Cleide Aparecida Martins Barillari é economista, cientista social, professora universitária. Especialista em Economia Brasileira e Mestre em Educação.

 

Em sua coluna a economista traz o tema: A economia do ponto de vista dos pré-candidatos à presidência

A mídia vem cobrindo as propostas dos pré-candidatos à Presidência da República e estes apresentam ideias dos mais diferentes matizes para a crise econômica brasileira. Um candidato afirma que os culpados pela crise são os economistas, então, eles que se virem para resolver, pois ele não tem que entender de Economia. Outro candidato diz que o problema está na abertura da economia à participação do capital estrangeiro e a presença do setor privado em setores considerados “estratégicos”, e isso precisa ser revertido. Outra, de novo, não diz nada. Outra, diz que vai mudar tudo, mas não diz que tudo é esse. Outro, ainda, propõe abertura da economia à concorrência numa clara proposta de liberalismo econômico. Outro, também acha que esse é o caminho. Outro, recorrente, acha que os outros não estão ali e que é uma questão de tempo sua candidatura decolar. São tantos outros que nem cabem aqui. Mas, NENHUM, até agora, saiu em defesa contundente das reformas que a economia precisa.

O brasileiro, para variar um pouquinho, argumenta que não sabe, ainda, qual deles é o “salvador da pátria”, mas que ele virá. Esse ser mítico da política brasileira vai se apresentar até outubro com a sua cartola mágica de onde retirará as “propostas miraculosas” que, a partir de Primeiro de Janeiro de 2019, fará surgir um novo Brasil para os brasileiros poderem usufruir daqui algumas décadas. Não há fórmula mágica para, além de sair da crise, resolver com rapidez os graves problemas estruturais da economia brasileira.

No entanto, apesar de estar muito claro para todos, independentemente de renda, crença, gênero, nível educacional e outras categorias mais, que a situação de caos nas contas públicas se apresenta como  uma situação muito grave, o Legislativo está com uma pauta, esta semana, de fazer inveja aos gastadores de plantão. Normalmente, é de se esperar que em anos eleitorais ocorram votações para aumentar gastos, trazer a ideia de que mais dinheiro público vai chegar em breve, como a “velha política sempre fez”. Mas daí a aprovar projeto para a criação de cerca de 300 novos municípios já é um pouco demais até para o desinformado povo brasileiro. Ao contrário de agir para a contenção dos gastos públicos os representantes do povo votam para piorar o que já é muito grave.

Apesar de esse assunto interessar a todos os brasileiros, os pré-candidatos não se manifestaram contra esse absurdo, pelo menos até agora. Nenhum candidato, nesse momento de formulação de “alianças políticas”, quer deixar o outro na mão. É como se houvesse um acordo tácito onde ninguém levanta nenhuma bandeira polêmica. E a bandeira mais polêmica, até agora, ainda é a crise econômica e as propostas para a solução dos problemas.

Toda economia enfrenta ciclos de alta no crescimento econômico e de limitações desse crescimento. Quando as limitações aparecem, são necessárias medidas de ajuste para acertar os rumos para um novo ciclo de crescimento econômico. No caso brasileiro, parece que se deve argumentar diferente: toma-se medidas para sair de uma crise e, depois, precisa-se de novas medidas para sair da outra crise. Então é como se nesta economia, devesse trabalhar sempre para sair de crises e não para evitá-las. Essa crise tem um componente ainda mais preocupante, que é o fato de a economia não só ter estagnado, mas também pelo fato de ter recuado, regredido muito em relação aos ganhos do ciclo de crescimento da década passada. A gravidade está no aspecto em que para que haja uma retomada no crescimento econômico o esforço terá que ser maior, uma vez que a inclinação negativa, quanto mais acentuada, mais esforço irá demandar para ser superada. Talvez seja por isso que os especialistas em análise macroeconômica estejam cada dia mais pessimistas.

Em ano eleitoral, que inclua mudança no comando do País, as preocupações crescem em razão da responsabilidade que se deve assumir não só com o fato de se herdar uma crise econômica ampla, mas com as propostas para uma essencial mudança na matriz produtiva do Brasil. Quando se fala nesse tipo de mudança, é de se esperar que algumas questões já devam fazer parte do passado, como a infraestrutura, por exemplo. Todavia, o primeiro quesito para sustentar um consistente e prolongado ciclo de crescimento econômico tem a ver com a infraestrutura que sustenta a cadeia produtiva: educação, transportes, energia, saneamento básico, produtividade, dentre tantos quesitos.

Nesse sentido, é muito provável que as propostas que o eleitorado brasileiro irá escutar já é bem conhecida de todos. A velha cantilena deverá girar em torno de mais do mesmo: mais dinheiro para a educação, mais dinheiro para a saúde, recuperar as rodovias, investir em ferrovias, modernizar os portos, garantir saneamento básico para todos, trazer recursos para os projetos nas regiões mais carentes e, claro, o que não pode faltar, aumentar o policiamento e combater o crime organizado. Tem também questões novas, marco regulatório para a internet, as questões de gênero, se o aborto é crime ou não, os crimes virtuais, até onde se pode “ferir” a imagem de quem se expõe de mais ou de menos, etc. Será que faltou alguma coisa? Sempre falta, então é só esperar para conferir...

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