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04 de julho de 2018 | 00h 18
O consumo em períodos de crise
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Cleide Martins
cleideamartins@gmail.com
Publicado por: Cleide Martins

Cleide Martins escreve a coluna de Economia no JC, todas as QUARTAS. Cleide Aparecida Martins Barillari é economista, cientista social, professora universitária. Especialista em Economia Brasileira e Mestre em Educação.

 

Em sua coluna a economista traz o tema: O consumo em períodos de crise

 

A crise que o Brasil vem enfrentando ainda está muito longe de ser solucionada. O endividamento público cresceu muito e as medidas que têm sido tomadas não são suficientes para solucionar esta parte do problema. A outra parte do problema tem a ver com a falta de confiança no mercado brasileiro. Investidores não acreditam nas regras que regem a nossa economia. Por isso, investimentos são suspensos, a produção não cresce, o desemprego aumenta e as famílias que não estão endividadas, diminuem o seu consumo para se prevenir de novas tempestades. As famílias endividadas sentem mais dificuldades para sair da inadimplência, pois o desemprego, muitas vezes, aprofunda mais ainda o problema financeiro.

Quando se fala em consumo em tempos de crise, não se refere somente à capacidade de consumo das pessoas, das famílias e das empresas, ou seja, o consumo do setor privado. Atualmente, é importantíssimo avaliar a situação de consumo do setor público, em qualquer uma das esferas de governo: União, estados e municípios. A situação também é falimentar no setor público. Se estes entes da Federação fossem empresas, a Justiça já teria decretado a falência de muitos.

Tome-se o exemplo do estado de Minas Gerais, que é o terceiro mais rico do País. O governo mineiro precisa escolher qual categoria, dentre os servidores públicos, vai pagar os salários do mês. Esse caso chamou muito a atenção pelo fato de o governador justificar os motivos pelos quais tinha que pagar primeiro os policiais e não os professores. Numa atitude infeliz de colocar a atividade do professor como menos  importante para o terceiro estado mais rico de um País quebrado. Só para constar, o PIB de Minas Gerais é cerca de ¼ do de São Paulo, o primeiro colocado; e quase metade do PIB do Rio de Janeiro, segundo colocado e com um grave colapso das contas públicas.

O que a falência do setor público tem a ver com o consumo? Simples, o setor público é um grande consumidor. Imagine os gastos de custeio dos três poderes? Executivo, Legislativo e Judiciário, juntos, consomem de maneira vertiginosa para funcionarem. Agora, imagine o Executivo sem dinheiro para pagar os salários dos servidores? Será que vai ter dinheiro para custear as suas atividades no cotidiano? Nesse caso, as licitações começam a ser adiadas e, no somatório geral, o setor público também contribui para a queda do consumo agregado (que é a soma do consumo do setor público e privado – famílias e empresas).

Na realidade, chegou-se ao ponto em que nem quem tem emprego, tem salário todo mês. Somando-se ao contingente de desempregados, os que não recebem salários em dia, a queda na categoria de consumo agregado caiu muito com a crise, e continua caindo. Nesse caso, como as empresas vão investir? Como as empresas aumentarão a produção? Como o desemprego poderá cair? O que fazer se o maior sinalizador para novos investimentos – o setor público – não tem recursos para investir? A resposta é equilibrando o orçamento, tanto público quanto privado. A única forma de se equilibrar o orçamento é cortando gastos, ou seja, consumindo menos.

Nesse ciclo perverso, de números negativos, é que se encontra a economia brasileira. Então é necessário bater, de novo, na mesma tecla: sem reformas econômicas o Brasil não sai desse ciclo negativo. Junte-se a isso o fato de o País estar à deriva, isto é, sem governo com legitimidade para fazê-lo, então tem-se que a crise está aí para ficar por mais um bom tempo. Ao brasileiro resta cuidar do próprio orçamento e ir às urnas com consciência. Mas que não espere milagres, pois independentemente de quem for eleito, o orçamento público para 2019 já terá sido aprovado por essa legislatura. E com esse Poder Legislativo corporativista que aí está, não há o que esperar. Nesse caso, pede-se ao povo que MUDE. É hora de mudar tudo para ver no que vai dar.

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