Tempo em
Uberaba

27 de junho de 2018
Cuidados com o orçamento familiar
comentário(s)
A+ A-
PUBLICADO POR
Cleide Martins
cleideamartins@gmail.com
Publicado por: Cleide Martins

Cleide Martins escreve a coluna de Economia no JC, todas as QUARTAS. Cleide Aparecida Martins Barillari é economista, cientista social, professora universitária. Especialista em Economia Brasileira e Mestre em Educação.

 

Em sua coluna a economista traz o tema: Cuidados com o orçamento familiar 

Segundo dados da Confederação Nacional do Comércio (CNC), 60% das famílias brasileiras estão endividadas. Esse é um número alarmante para um País que busca formas de sair de uma grave crise econômica. Tal indicador mostra que a capacidade de consumo das famílias vai muito mal e isso afeta o comércio e a indústria em cadeia. O comerciante não vai fazer encomendas ao setor produtivo. A indústria, por sua vez, não fará novos investimentos na produção e, portanto, a geração de emprego fica comprometida. Nesse caso, com mais gente desempregada, cai ainda mais a capacidade de consumo e o ciclo se repete e desenha-se um cenário econômico pouco animador.

Diante dessa realidade, as famílias brasileiras poderiam aproveitar a situação de crise e rever os seus conceitos em relação a como se prevenir de crises no futuro. Não é fácil sair de uma situação de endividamento para uma situação de poupança. A maioria das pessoas pensa que quando se fala em poupança está-se falando de uma aplicação financeira. Não é bem assim, apenas se refere ao fato de que a receita é maior do que a despesa e, portanto, sobra algum recurso financeiro ao final de um período – normalmente, um mês. Se sobrar algum recurso, pode-se até abrir uma poupança numa instituição financeira ou guardar o recurso em casa mesmo. A Ciência Econômica costuma orientar as pessoas que, para evitar os efeitos de situações de crises, o ideal seria manter uma reserva financeira que cubra as despesas por pelo menos seis meses. Nesse caso, o mais indicado é que este recurso fique guardado no banco, rendendo juros e correção monetária.

No Brasil, quando se propõe esse tipo de orientação, as pessoas costumam responder que o que ganham não é suficiente nem para as despesas, que dirá manter uma reserva... Uma primeira resposta seria: quando se ganha pouco, tem que aprender a viver com pouco e, inclusive, poupar, apesar de não ser fácil. Outra resposta está relacionada ao tipo de consumo da pessoa ou da família. As pessoas, quando questionadas sobre o seu perfil de consumo, costumam responder prontamente que só consomem o necessário. Na verdade, se tudo for colocado no papel, as pessoas costumam descobrir alguns ralos por onde escoam recursos que poderiam ter outra destinação.

Para facilitar o controle e a previsão das despesas, orienta-se que as famílias montem uma planilha com suas despesas mensais fixas e um espaço onde possam ir anotando as despesas variáveis ou aquelas que aparecem de “última hora”. Também devem ser anotadas todas as despesas com pequenos gastos, que envolvam moedas, por exemplo. Muitos podem se surpreender ao perceber que gastam diariamente uma quantia que, à princípio, parece pequena, mas que somada, no final do mês, se torna um volume considerável. Assim se começa a conhecer o próprio perfil de consumo. Com o passar do tempo, essa planilha pode ser transformada em uma previsão de despesas que vão sendo consolidadas ao longo do mês. Com um pouco mais de disciplina ainda pode-se chegar a cortar determinadas despesas, quando estas forem reconhecidamente desnecessárias.

Daí em diante, as pessoas ou famílias podem começar a planejar melhor os seus gastos e já começam a mudar seu perfil de consumo e, no final de um ano, quem sabe, já começam a reverter a sua condição de inadimplentes para a condição de poupadores. Pode parecer difícil no começo, mas quando se visualiza os compromissos com antecedência, fica mais fácil descobrir o que se pode cortar de despesas e equilibrar de uma vez o orçamento pessoal ou familiar. Deve-se ressaltar ainda que, em se tratando de famílias, os membros da mesma devem tomar consciência da planilha JUNTOS para conhecerem de perto a realidade, pois não há orçamento que se equilibre quando existe um só provedor para sustentar uma família numerosa que não contribua na hora de fazer o sacrifício (não consumindo) de equilibrar o orçamento familiar.

 

Comentários

NEWSLETTER
Cadastre-se e receba as novidades do
JC diretamente no seu e-mail:

 



  Agência Digital  
Todos os direitos reservados © 2019 · Jornal da Cidade