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21 de junho de 2018 | 10h 15
A política na economia
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Cleide Martins
cleideamartins@gmail.com
Publicado por: Cleide Martins

Cleide Martins escreve a coluna de Economia no JC, todas as QUARTAS. Cleide Aparecida Martins Barillari é economista, cientista social, professora universitária. Especialista em Economia Brasileira e Mestre em Educação.

 

Em sua coluna a economista traz o tema:A política na economia 

O Brasil enfrenta uma crise econômica com alto grau de influência da crise política. Não basta enumerar somente os elementos econômicos relacionados ao alto índice de endividamento público e privado. O endividamento público impede as perspectivas de investimentos públicos na carente infraestrutura brasileira. O endividamento das empresas compromete as possibilidades de crescimento do setor privado. O endividamento das famílias compromete o consumo, que, por sua vez, compromete a produção e a criação de novos empregos. Esse cenário é desalentador para qualquer economia. A crise econômica em curso já é, por si só, profunda e foi fortemente alimentada, também, pela paralisação dos caminhoneiros recentemente. As instituições de avaliação da capacidade de crescimento do Brasil já refizeram seus cálculos e concluíram que o PIB brasileiro não chegará perto dos 3% este ano. O Banco Central já vislumbra um crescimento menor que 2%. Os mais realistas acreditam que o PIB deve ficar em torno de 1% em 2018.

No entanto, 2018 ainda carrega os elementos da crise política enfrentada pelo governo federal de um lado e, de outro, as investigações relacionadas aos políticos brasileiros (Operação Lava Jato). A sociedade brasileira espera que as apurações das denúncias sigam em frente e que os políticos que desviaram bilhões dos cofres públicos sejam punidos. Os números apurados até agora se mostram exorbitantes, com um desvio estimado em cerca de R$ 200 bilhões por ano (O QUE SERIA SUFICIENTE PARA COBRIR O ROMBO NO CAIXA DO GOVERNO) e o que foi devolvido até agora, com as operações em andamento, está em torno de R$ 12 bilhões, quer dizer, nem 10% do que se estima ter sido desviado anualmente. Com esse dinheiro em caixa, as contas públicas não estariam sofrendo a crise que se observa.

A sociedade precisa tomar consciência de que tem papel importante neste ano para os rumos da economia brasileira. A maioria dos cidadãos se recusa a acompanhar o debate econômico, justificando não terem conhecimento para tal. Mas uma coisa as pessoas precisam estar cientes: QUEM TOMA AS DECISÕES ECONÔMICAS SÃO OS POLÍTICOS ELEITOS PELO VOTO DE CADA UM. Então, não é mais uma questão de não querer participar do debate econômico e político. É hoje uma necessidade para se fazer as escolhas nas urnas.

Os candidatos ao governo federal e aos governos estaduais precisam estar preparados para darem as suas parcelas de contribuição ao País. A realidade brasileira exige um maior preparo dos candidatos hoje mais do que nunca. Quem for eleito vai herdar uma crise que não está alojada apenas na esfera federal. Os estados e municípios também passam por intensa crise nas contas públicas. Portanto, é hora de pensar muito e analisar o que os candidatos estão propondo como saída para a crise. E não vai ser esse discurso requentado presente no cenário político atual que vai ajudar na solução dos problemas desencadeados por essa crise.

No entanto, na atual conjuntura, não basta pensar apenas nos cargos para o Poder Executivo. Os legisladores, tanto na esfera federal, quanto na esfera estadual, são elementos importantes nesse momento. O Poder Legislativo tem a incumbência de votar as REFORMAS ESSENCIAIS para que a economia brasileira possa sair do seu atraso e superar a crise em bases mais modernas de políticas públicas e práticas de governança. Nesse caso, é, talvez, mais urgente acertar no voto para os deputados do que para presidente e governadores.

A renovação do Poder Legislativo hoje é essencial para a mudança da “cara” da política brasileira. Os legisladores é que têm em suas mãos, como representantes do POVO, os votos necessários para que as REFORMAS ECONÔMICAS aconteçam de maneira clara e responsável. São os representantes legais do povo que devem levar para o próximo mandato o cumprimento da verdadeira representação popular. Somente através das REFORMAS é que a economia brasileira terá os reais sinais dos rumos que poderá trilhar. Aí sim, será possível fazer novos planos para o futuro. Portanto, o ideal para um novo Brasil é a renovação política total.

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