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13 de junho de 2018 | 17h 57
O capital estrangeiro e a pressão sobre as taxas de juros
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Cleide Martins
cleideamartins@gmail.com
Publicado por: Cleide Martins

Cleide Martins escreve a coluna de Economia no JC, todas as QUARTAS. Cleide Aparecida Martins Barillari é economista, cientista social, professora universitária. Especialista em Economia Brasileira e Mestre em Educação.

 

Em sua coluna a economista traz o tema: O capital estrangeiro e a pressão sobre as taxas de juros

O capital estrangeiro se divide em dois tipos: o Investimento Direto Estrangeiro (IDE) e o Capital Especulativo (CE). O Investimento Direto Estrangeiro é sempre bem-vindo, uma vez que este recurso é canalizado para o processo produtivo e, em períodos de crise, como o Brasil vem passando, ajudaria muito na criação de empregos e alavancagem do PIB. Já o Capital Especulativo é aquele que entra numa economia em busca de rentabilidade, seja nas aplicações em renda fixa (baseado na SELIC), ou em perspectivas de ganhos através dos rendimentos na Bolsa de Valores (Mercado de Capitais).

O IDE está de olho na taxa de juros, uma vez que esta é um importante referencial para a tomada de decisão quanto a novos investimentos ou simplesmente a manutenção de aplicações financeiras. Se a taxa de juro básica (SELIC) está em patamares mais baixos, como atualmente, então não vale a pena manter as aplicações financeiras e se torna mais interessante fazer investimentos na produção de riquezas. No entanto, as incertezas políticas vêm concorrendo negativamente com a taxa de juros, pois continuam sinalizando negativamente aos investidores estrangeiros. Estes investidores continuam mantendo uma expectativa negativa quanto aos rumos da política brasileira. Nesse caso, as perspectivas são de que os investidores estrangeiros aguardarão os resultados das urnas para repensarem sobre os investimentos para o período de 2019 em diante. Esse não está sendo um momento de investimentos produtivos no Brasil, tanto que as expectativas quanto ao crescimento do PIB têm sido cada vez menores. O que era para ser um PIB de 2,18%, antes da crise, já está na casa de 1,94 (Focus/BC) e com tendência a ser menor ainda.

Para o Capital Especulativo, a taxa de juros real (SELIC menos a inflação) está sinalizando uma queda que pode levar esse capital estrangeiro para outras opções, como as aplicações em títulos da dívida estadunidense (considerados muito mais seguros). A taxa real de juros, no Brasil, está em queda, uma vez que existe uma expectativa de aumento da inflação. Se a inflação sinalizar para um crescimento maior do que a expectativa, a taxa real de juros cai e aí se torna mais interessante ao CE deixar o Brasil. Isso pode ser um dos motivos que levaram o Banco Central do Brasil a ter que colocar dólares no mercado na semana passada, numa tentativa de segurar a cotação da moeda estrangeira.

Os Estados Unidos sinalizaram com a possibilidade de mais dois aumentos da sua taxa de juros para esse ano. A taxa de juros dos EUA está em 1,75% (FED) ao ano, enquanto a inflação sinaliza uma queda de 2,46% (oscilando em 2,28% - Worldwide Inflation Data) para a casa dos 2%. No caso de alta dessa inflação, certamente haverá aumento da taxa de juros nos Estados Unidos, fazendo com que o capital estrangeiro especulativo busque o mercado estadunidense, em detrimento do mercado brasileiro.

No Brasil, a situação está mais complicada. O Banco Central do Brasil sinaliza com a manutenção da taxa SELIC em torno dos 6,5% (BC). No entanto, a inflação demonstra vigor para a alta, uma vez que o aumento dos preços dos combustíveis, combinado com o aumento da tarifa de energia elétrica, sinalizam para o repasse desses preços aos consumidores. A expectativa para 2018 era a de que a inflação se mantivesse em torno de 2,85% (Global Rates), mas isso foi antes da paralisação dos caminhoneiros. Porém, a realidade e os humores do mercado mudaram após estes acontecimentos. A combinação desses fatores, internos e externos, podem levar o Comitê de Política Monetária (COPOM-BC) do Banco Central a rever as suas metas tanto de inflação quanto de taxa de juros.

Portanto, o aumento da taxa de juros pode ocorrer embasado em dois cenários. Internamente, se a inflação permanecer com tendência de alta e o mercado de câmbio continuar, também, em alta, o BC tem que responder prontamente. Assim, também, no âmbito externo, no caso de os Estados Unidos aumentarem sua taxa de juros, atraindo o Capital Especulativo, então o BC tem que reagir para evitar a saída de dólares do Brasil. Nesses dois cenários, a medida esperada é a mesma.

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