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08 de junho de 2018 | 18h 20
Brasil, corrupção, desvios de condutas e educação
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Theresa Rachel Alvim
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Publicado por: Theresa Rachel Alvim

Theresa Rachel escreve a coluna no JC, todas as SEXTAS. Psicóloga especialista em Psicoterapia Psicanalítica, Coaching de Carreira e Palestrante.

Em sua coluna a psicóloga traz o tema: Brasil, corrupção, desvios de condutas e educação

Qual a relação entre o Brasil, a corrupção, o desvio de conduta e a educação? A relação entre estas se dá pela falta de investimentos na educação, gerando no Brasil pessoas corruptas, negligentes e com desvio de conduta. Nosso país com tantas riquezas, infelizmente mal administradas, passa por uma crise econômica, política e ao meu entendimento a maior crise moral e comportamental dos últimos tempos. Todos os dias recebemos através das mídias, notícias sobre corrupção, lavagem de dinheiro, desvios de verbas, entre outros que entristecem nosso povo brasileiro. 


Em um levantamento, a Pesquisa Global de Crimes Econômicos, organizada pela empresa internacional de auditoria e consultoria PwC, constatou que um terço das empresas brasileiras já foi vítima de algum tipo de crime econômico nos últimos anos. Isso resulta em um prejuízo que pode chegar a US$ 100 milhões. Na maioria dos casos (64%), os crimes têm origem dentro da empresa e envolvem a participação de executivos com até 10 anos de trabalho. 


Os atos ilícitos, que dominam o ambiente político e corporativo, são verdadeiras catástrofes para a cidadania. Mais do que isso, trata-se do retrato de uma educação incompleta e incapaz de formar bons cidadãos. A baixa escolaridade é o principal fator por trás do marasmo produtivo da mão de obra brasileira. Com uma frequência escolar orbitando os 60% no ensino médio, temos uma enorme falta de mão de obra minimamente qualificada entrando em idade de trabalho. Para fins de comparação, nos EUA, esse indicador já batia a casa dos 90% no final dos anos 50. Nessa direção, este vácuo cria o ambiente ideal para a concretização de três práticas fraudulentas: a corrupção, o desvio de conduta e a negligência.


Os exemplos mais recentes de corrupção são o caso da FIFA e os que estão sendo levantados pela Operação Lava Jato. A corrupção se denomina por obter vantagem pessoal em troca de favores. É intencional, envolve mais de uma pessoa, pode ser ativa ou passiva. Diferente do desvio de conduta que usa intencionalmente um caminho menor para atingir um resultado maior. Também de forma consciente exige uma premeditação maior do que a corrupção e pode ser cometido por um único indivíduo ou um grupo. Há também situações em que o desvio de conduta vem de cima, com envolvimento direto ou indireto da alta gestão.

Já a negligência está relacionado à falta de cuidado, descuido ou descaso, podendo ser praticada apenas por um único indivíduo ou grupo. O caso mais recente é o da Samarco e a lama tóxica no Rio Doce, com prejuízos incalculáveis ao meio ambiente, à natureza, aos negócios e às pessoas. Essas três práticas fraudulentas mencionadas (corrupção, desvio de conduta e negligência) têm um ponto em comum muito marcante: sobrevivem da escuridão, não suportam a luz, necessitam agir de forma camuflada. Logo, não convivem com transparência.


Rui Barbosa dizia que "de tanto triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver agigantarem o poder nas mãos dos maus, o homem chega a se desanimar da virtude, a rir da honra e ter vergonha de ser honesto". O único legado positivo que podemos tirar desse infortúnio moral é o fato de aumentar ainda mais a nossa indignação e nos forçar a refletir sobre a importância de uma educação completa.

 

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