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Uberaba

30 de maio de 2018 | 11h 25
Economista Cleide Martins traz o tema: Crise brasileira versão 2018
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Cleide Martins
cleideamartins@gmail.com
Publicado por: Cleide Martins

Cleide Martins escreve a coluna de Economia no JC, todas as QUARTAS. Cleide Aparecida Martins Barillari é economista, cientista social, professora universitária. Especialista em Economia Brasileira e Mestre em Educação.

 

Em sua coluna a economista traz o tema: Crise brasileira versão 2018

 

2018 já entrou para a História Econômica do Brasil. Só não se sabe qual o desfecho. Por isso mesmo, fica cada dia mais difícil de se fazer qualquer análise econômica. Se for levado em conta apenas a Teoria Econômica, não dá para sair nem do lugar, uma vez que não pode ser aplicada à realidade econômica brasileira. Particularmente em termos de Leis de Oferta e Demanda. O brasileiro que viveu a inflação dos anos 1980 e 1990 que o diga. Naquela época, o cidadão havia perdido as noções básicas de custos das mercadorias. A única saída era receber o salário, pagar as contas e fazer supermercado torcendo para que o mês coubesse dentro das compras. É isso mesmo. E hoje?? Não se tem a menor ideia do que vai acontecer amanhã.

Na era das tecnologias da informação, os canais de comunicação não estão se entendendo muito bem. Cada veículo de informação mostra uma coisa diferente: nova ou velha? News ou Fakenews?? A crise é econômica ou política? Quem são os agentes em negociação para o fim da crise? Está havendo desabastecimento ou não? Só de combustíveis? O cidadão brasileiro está mais preocupado com o emprego, com o estômago ou com o tanque do carro? Os supermercados estão tranquilos (visitei pessoalmente alguns e não falta muita coisa – hortifrutigranjeiros, para ser mais exata). Será que é por isso que o brasileiro está preocupado só com o combustível? Mas pagar R$ 10,00 o litro da gasolina não é um certo exagero por parte do consumidor?

Realmente o Brasil mudou. Uberaba, particularmente, tem uma grande frota. Segundo publicação aqui do próprio JCUberaba, são mais de 213.000 automóveis. Esse crescimento da frota veio no mesmo pacote de endividamento das famílias, que incluem os próprios caminhoneiros, que financiaram seus novos modelos às custas de taxas de juros subsidiadas, numa política econômica de ampliação desenfreada do crédito. No caso dessa categoria, a concorrência se ampliou fazendo cair o valor do frete. Isso deixou muita gente contrariada e com as dívidas crescendo. Mas, com o poder que lhes foi conferido por nossos governantes do passado e do presente, estes passaram a deter o poder da paralisação com consequências devastadoras para a economia nacional. Esse poder foi concedido no passado, quando foi feita a opção pelo sistema de transporte rodoviário (principalmente de cargas) no País. Muitos “chatos” cobraram das autoridades governamentais que fossem ampliadas as alternativas de transportes de cargas para os modais ferroviários e fluviais. No entanto, a realidade mostra que a dependência do transporte rodoviário de cargas prevaleceu. Então, quando esse sistema entra em colapso, leva consigo a economia inteira. É muita responsabilidade para todos: cidadão, governante e caminhoneiro.

O cidadão, que deveria ser mais bem informado, é aquele que paga a conta das decisões governamentais. No caso do cidadão-caminhoneiro, este sabe a importância do seu papel e está fazendo uso dos seus direitos, segundo os constitucionalistas de plantão. “O direito de um cidadão termina onde começa o do outro”. Bonita frase: direitos. E as responsabilidades sobre as consequências dessa situação que se vive no País? A quem atribuir tais responsabilidades? Dificílimo de resolver essa questão. Do ponto de vista econômico, a base em que se sustenta a economia brasileira é frágil desde sempre. No século passado, o modelo de industrialização foi sendo gestado sobre bases comprometedoras em termos de independência e autossustentabilidade. Bater nas teclas das muitas reformas necessárias para o crescimento econômico é chover no molhado. Afirmar que essa estrutura política que aí está tem condições de executar as reformas econômicas necessárias é mentir descaradamente, uma vez que as investigações policiais mostram a relação de promiscuidade da classe política e empresarial brasileira. O que vislumbrar para o futuro próximo?

Salve as ELEIÇÕES. O povo brasileiro vai ter que SALVAR as eleições, em outubro. O que se vê neste momento, é muita gente procurando AINDA um salvador da Pátria. Há quem acredite em milagres, há quem acredite que a intervenção militar é a saída. Mas contar com isso seria muito egoísmo do cidadão que está querendo “lavar as mãos” diante da própria responsabilidade que está caindo no seu colo. As decisões econômicas mais importantes virão dos resultados das urnas, queira ou não o povo brasileiro. Não haverá milagre, nem salvador da Pátria. 2018 já era, o negócio agora é planejar 2019 e torcer para que o fundo do poço seja alcançado logo. Pelo menos para os economistas, quando se vislumbrar o fundo do poço, aí pode-se começar a traçar um novo cenário econômico. No meio da tempestade não se enxerga a saída e é aí que mora o perigo.

 

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