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22 de maio de 2018 | 23h 28
Economista Cleide Martins traz o tema: A importância do petróleo para uma economia
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Cleide Martins
cleideamartins@gmail.com
Publicado por: Cleide Martins

Cleide Martins escreve a coluna de Economia no JC, todas as QUARTAS. Cleide Aparecida Martins Barillari é economista, cientista social, professora universitária. Especialista em Economia Brasileira e Mestre em Educação.

 

Em sua coluna a economista traz o tema:  A importância do petróleo para uma economia

 

O petróleo é uma incógnita para muita gente, mesmo sendo um dos produtos mais famosos do mundo. A intensificação do processo de industrialização pelo mundo afora, a partir do início do século XX, trouxe como principal matriz energética o petróleo. O Primeiro Choque do Petróleo, em 1973, no mercado mundial, viu o preço quadruplicar da noite para o dia. A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) finalmente havia se dado conta da importância dessa commodity para o mundo Ocidental. A partir daí seus membros passaram a contar com uma receita crescente, em dólares, advinda das exportações.

 

Os países exportadores, a maioria no Oriente Médio, liderados pela Arábia Saudita, não conseguiram fazer desses recursos o grande trampolim para o desenvolvimento do seu povo. Por isso, para muitos especialistas em energia, o petróleo carrega um estigma de propiciar, a poucos, uma fortuna invejável (os chamados sheiks, no Oriente Médio). Mas, há casos diferentes. Particularmente, algumas democracias sobreviveram a este estigma, dando uma destinação positiva aos recursos advindos do petróleo, como a Noruega e Estados Unidos, por exemplo. Na Noruega, os recursos do petróleo foram parar direto nos caixas da educação. Não é à toa que este país se mantém como um dos primeiros em qualidade de vida da sua população (IDH).

Os dois extremos, o Oriente Médio, liderado pela Arábia Saudita com sua monarquia absoluta, e países ocidentais produtores e exportadores de petróleo com suas democracias, são citados aqui para nos lembrar do que está vivendo a Venezuela neste momento de crise aguda (por que não incluir o Brasil também?). Os governos venezuelanos, a partir de Hugo Chávez, achavam que as receitas oriundas do petróleo seriam infindáveis. Portanto, estes poderiam se dar ao luxo de deixar de lado os investimentos internos (o próprio povo) para o futuro. No caso do nosso vizinho (ditadura venezuelana), a situação é lamentável. O Brasil, como outros vizinhos da Venezuela, vem sofrendo com a forte migração daquele povo em busca de condições mínimas de sobrevivência, pois o povo está passando fome. Um povo que está passando por sérias privações, sobre uma grande bacia de petróleo que está sendo explorado sem ganhos para a sociedade.

Por aqui, o Brasil oficializou a descoberta do petróleo em águas profundas em 2006. Naquele momento, o governo brasileiro, na figura do presidente Lula, perfeitamente alinhado com os objetivos políticos de Hugo Chávez, na Venezuela, fez todo um estardalhaço com a novidade. O governo brasileiro já queria discutir a destinação dos recursos que o petróleo iria render ao País. No entanto, o governo se esqueceu de observar que, para se chegar a esse petróleo, numa profundidade média acima de 8000 metros de profundidade, no mar, deveria fazer novos investimentos em técnicas e materiais que pudessem garantir a exploração segura da riqueza encontrada.

O que se viu, na prática, foi que as autoridades estavam alardeando os lucros, antes das operações serem iniciadas. A Petrobrás, responsável pela exploração, só iniciou os leilões para a extração desse petróleo no governo Dilma, em 2013. Mas a Petrobrás já estava tendo recursos desviados (Lava-Jato), muito antes de iniciar efetivamente a extração. Não foi à toa que milionários do pré-sal, como o empresário carioca Eike Batista, veio à falência no contexto das investigações, se tornando mais um caso da maldição do petróleo. Eis um dos pontos a que se quer chegar: a crise econômica brasileira tem fortes componentes na ganância de políticos corruptos que já contavam com a colheita antes do plantio.

Com esse cenário, a principal empresa brasileira em investimentos para alavancagem do PIB se viu numa crise econômica própria, sem precedentes na sua história. A Petrobrás, importante empresa de petróleo no mundo, se vê numa situação crítica de falta de credibilidade, com alto endividamento, respondendo a processos bilionários fora do País e, o principal, sem capacidade de investimentos. Sem contar com essa fonte geradora de economias de escala, o PIB brasileiro continua patinando, sem previsão de recuperação consistente. Portanto, o Brasil é mais uma economia que entra para o estigma negativo do petróleo, que existe, mas que não está sendo aproveitado para garantir melhores condições de vida para seu povo.

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