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17 de maio de 2018 | 13h 04
Economista Cleide Martins traz o tema: a crise brasileira e os indicadores externos
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Cleide Martins
cleideamartins@gmail.com
Publicado por: Cleide Martins

                 

Cleide Martins escreve a coluna de Economia no JC, todas as QUARTAS. Cleide Aparecida Martins Barillari é economista, cientista social, professora universitária. Especialista em Economia Brasileira e Mestre em Educação.

 

Em sua coluna a economista traz o tema: A crise brasileira e os indicadores externos

A Balança Comercial brasileira fechou o ano de 2017 com um superávit de US$ 67 bilhões (Banco Central). São números impressionantes, se comparados com os anos anteriores, uma vez que em 2014 fechou com déficit de US$ 3, 959 bilhões; em 2015 já houve uma rápida recuperação, fechando positivo em US$ 19,690 bilhões; e 2016 com superávit de US$ 47,7 bilhões. Essa recuperação, segundo especialistas, se deve ao aumento nos preços das commodities no mercado internacional. Particularmente, em 2017, houve um aumento desses preços (10% de aumento médio em moeda estrangeira) mais que proporcional ao aumento da quantidade exportada (7,6% em relação ao ano de 2016).

O peso dos setores da economia na composição dos produtos exportados pelo Brasil, no ano passado, demonstrou ainda a grande importância do setor agrícola (28,7% do total) para essa recuperação externa. Os produtos semimanufaturados contribuíram com 13,3% das exportações e os produtos manufaturados com 9,4% do total das exportações. A agricultura brasileira continua batendo recordes de produção em toneladas, ao mesmo tempo em que contribui para o saldo nas contas externas.

O bom desempenho da Balança Comercial vem garantindo ao Brasil a manutenção das reservas internacionais (estoque em moeda estrangeira) acima dos US$ 383 bilhões. Para uma dívida externa variando em torno de US$ 324 bilhões, pode-se afirmar que a situação brasileira no exterior é confortável, mantendo a posição de país credor por apresentar um saldo positivo de US$ 59 bilhões. Em se tratando de um País subdesenvolvido, esses números soam muito bem aos ouvidos dos nacionais. No entanto, o famoso Risco Brasil também continua em alta. Isso quer dizer que as agências internacionais que medem os riscos para investidores ainda não confiam na economia brasileira e na sua real capacidade de sair da crise para um novo ciclo de crescimento duradouro.

Outro indicador externo importante tem a ver com a movimentação de capital financeiro na forma de Investimento Direto Estrangeiro (IDE). No ano de 2017, entraram no Brasil US$ 75 bilhões com essa nomenclatura. O maior destaque nesse segmento são os recursos originários dos grupos chineses. A China vem liderando esse segmento no Brasil muito mais pela sua política externa de expansão da sua presença na economia mundial, do que por acreditar que a nossa economia já está saindo da crise. Esses recursos são muito bem-vindos, já que os investimentos por aqui andam escassos.

Muitos brasileiros acreditam que o governo federal poderia utilizar esses recursos para resolver os problemas do Tesouro Nacional (caixa da União). É preciso entender que não se resolve o problema do endividamento interno (em reais) utilizando moeda estrangeira (dólares, euros, libras). Quando a moeda estrangeira entra no País é feita uma operação cambial por parte do Banco Central, transformando essa moeda estrangeira em reais. Isso quer dizer que o aumento das reservas internacionais pode fazer aumentar a quantidade de reais em circulação.

Esse processo de conversão ocorre, por exemplo, com o agricultor que exportou sua safra. Quando ele recebe em dólares, estes ficam nas mãos do Banco Central, que repassam, em reais, para o produtor rural. Assim, também, acontece com o IDE. Quando o investidor estrangeiro entra no Brasil, os dólares ficam no Banco Central e o investidor receberá o correspondente em reais para operar no mercado interno. É por isso que nenhum país do mundo pode utilizar as suas reservas externas em atividades econômicas internas. Se o fizer, será como se estivesse utilizando o mesmo recurso duas vezes, e isso não é possível.

Os resultados externos que o Brasil vem colhendo são muito positivos, mas ainda insuficientes para debelar a crise econômica, que permanece alimentada por muitos problemas que ainda nem entraram nas pautas de discussões em busca de solução. Além disso, ainda deve-se acrescentar ao pacote uma crise política e moral da sociedade brasileira. É preciso reestruturar as regras econômicas internas para dar maiores garantias aos investidores internos e externos para que o Custo Brasil e o Risco Brasil deixem de funcionar como armadilhas contra o crescimento econômico. Quanto aos problemas morais e políticos, só um verdadeiro choque de EDUCAÇÃO para serem resolvidos somente no médio e longo prazos.

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