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09 de maio de 2018 | 11h 02
A economia do ponto de vista do mercado
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Cleide Martins
cleideamartins@gmail.com
Publicado por: Cleide Martins

Cleide Martins escreve a coluna de Economia no JC, todas as QUARTAS. Cleide Aparecida Martins Barillari é economista, cientista social, professora universitária. Especialista em Economia Brasileira e Mestre em Educação.

Em sua coluna a economista traz o tema: A economia do ponto de vista do mercado

Hoje em dia a Ciência Econômica é analisada muito mais a partir do ponto de vista macroeconômico, que  se refere ao estudo dos agregados econômicos, ou seja, produção, renda, consumo, emprego, dentre outros, de maneira global, muito mais do que por uma análise individualizada. No entanto, só se pode chegar a uma visão geral das coisas se partir da análise individual dos agentes econômicos. Esses agentes são indivíduos que se comportam de acordo com o seu papel no mercado, podendo ser ele consumidor, produtor e demais membros de uma coletividade, como as pessoas que atuam no setor público, por exemplo.

No século XVIII, a Ciência Econômica nos foi apresentada pelo economista escocês Adam Smith, na sua obra A Riqueza das Nações (1776). Naquele momento a análise econômica se dava a partir de como os indivíduos se comportavam e como esse comportamento influenciava as demais pessoas.

      Adam Smith, A Riqueza das Nações (1776)

A Teoria da Demanda e a Teoria da Oferta são apresentadas como pressupostos suficientes para movimentar os preços e as quantidades de mercadorias na economia. Segundo Adam Smith, ninguém precisava interferir individualmente na economia para que esta mantivesse o seu equilíbrio. Bastava que cada um fizesse a sua parte individualmente que o TODO seria beneficiado pelo que ele chamava de “mão invisível”, isto é, as leis de mercado se encarregavam de manter a economia no caminho do crescimento com equilíbrio.

Naquela época, poucos se arriscavam a dar ao ESTADO o poder econômico. Isso quer dizer que ao Estado cabia o papel de garantir a segurança e o cumprimento das leis, sem que este adotasse medidas de intervenção na economia. E assim a História Econômica nos mostrou que era possível aos agentes econômicos privados promover o crescimento e o progresso de uma economia (como no caso da Inglaterra, com a Revolução Industrial). Para Smith, bastava que cada um buscasse o seu bem estar individual, para que fosse promovido o bem estar da coletividade. Ninguém tinha que pensar no todo, somente em si, cumprindo regras mínimas de deveres que garantissem os direitos de todos.

Pode parecer estranho, mas os economistas afirmavam, naquela época, que ninguém produzia porque era bonzinho e pensava no próximo. Cada um buscava maximizar seus ganhos, isto é, seus lucros. Lucros não devem ser vistos como uma ofensa, como querem fazer pensar as ideologias que os tratam como perversos. Na verdade, o consumidor, quando busca o menor preço, também está tentando lucrar, assim como quem vende busca fazê-lo pelo maior preço. Então não se deve olhar para o lucro como algo negativo. Ao contrário, é, na verdade, o objetivo de todos os indivíduos independentemente de classes sociais.

O ponto a que se quer chegar aqui é muito simples: o que é melhor para cada indivíduo brasileiro nesse cenário econômico atual? Uma menor intervenção do Estado na economia, ou as promessas de intervenção cada vez maior com a justificativa de que é para o bem de todos? A História do Brasil, do ponto de vista econômico traz muitas controvérsias interessantes. Momentos de maior intervenção ou menor intervenção, com momentos de maior crescimento econômico intercalado por crises. No entanto, esses momentos de crise têm um ponto em comum: havia muita intervenção do Estado na economia. A justificativa era sempre de que esses agentes políticos estavam em busca de uma solução para os problemas de todos. Mas a população não conseguia compreender os motivos das crises, que eram gestadas pelos próprios agentes políticos na defesa dos seus interesses e não no da coletividade. A verdade raramente chega para a sociedade de maneira clara e objetiva. Infelizmente, até os meios de comunicação estão muito contaminados para que se possa avaliar de maneira isenta a realidade.

Nesse sentido, as pessoas deveriam começar a perceber que elas são mais importantes do que o Estado. O GOVERNO deveria se retirar de onde não tem competência para permanecer, diminuindo o seu tamanho e, consequentemente, o seu custo para a sociedade. O objetivo deve ser o de desonerar as pessoas e as empresas, garantindo que haja segurança e que a lei seja cumprida. O resto, o povo brasileiro tem competência de sobra para resolver sozinho. Esse PATERNALISMO ESTATAL contaminou mais de uma geração, onde as pessoas começaram a viver em função do que o Estado poderia lhes oferecer. A grande descoberta está frustrando muita gente: o que o setor público brasileiro tem para oferecer está aí e não está agradando a nenhuma classe social (na verdade, agrada apenas aos que se beneficiam das práticas de corrupção). Portanto, a proposta é simples: é preciso rever as teorias, dar às pessoas espaço para agirem, colocar o setor público no seu devido lugar e TRABALHAR para um futuro melhor. Isso só é possível se for feito pelas PESSOAS.

 

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