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02 de maio de 2018 | 16h 16
Economista Cleide Martins faz A GRANDE PERGUNTA: quando o Brasil vai sair dessa crise?
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Cleide Martins
cleideamartins@gmail.com
Publicado por: Cleide Martins

Cleide Martins escreve a coluna de Economia no JC, todas as QUARTAS. Cleide Aparecida Martins Barillari é economista, cientista social, professora universitária. Especialista em Economia Brasileira e Mestre em Educação.

 

Em sua coluna a economista traz o tema:  A GRANDE PERGUNTA: quando o Brasil vai sair dessa crise?

 

Todos os dias as pessoas se perguntam: Quando o Brasil vai sair dessa crise? Todo mundo tem uma resposta para isso. Ninguém está errado. Se for otimista, não pode deixar morrer a esperança. Deve-se olhar para frente, não para trás, e continuar trabalhando muito com cada cidadão fazendo a sua parte. Se for pessimista, ouvir-se-á a mesma e fatídica frase: “não tem jeito, sempre foi assim”. E aí desanima todo mundo e ninguém se sente responsável mais por nada e, portanto, perde-se o ânimo de seguir em frente trabalhando.

Uma coisa é certa: essa crise foi gestada por anos a fio, podemos até dizer por décadas. Se uma coisa que foi feita de maneira negativa e aprofundada, é de se esperar que a solução também não seja rápida. Vai, sim, levar muito tempo. Diria, de forma razoavelmente realista, que nos próximos cinco anos a gente vai ter que ACERTAR muito (pra não dizer, com um pouco de sorte) para chegar à condição de equilíbrio econômico.

Vamos observar alguns fatos. Primeiro: a Petrobrás era um importante sinalizador na questão dos investimentos. Com capacidade total de investimento, a Petrobrás respondia por cerca de 10% na alavancagem do PIB brasileiro. Digamos que, no momento, não podemos contar com isso, pois segundo especialistas nessa área, a Petrobrás só deverá se recompor da sua própria crise lá pelo ano de 2025. Daqui a uns sete anos, se tudo correr bem. É o que esperamos. Segundo: o crescimento econômico brasileiro (PIB) depende dos investimentos do setor público: infelizmente, como todo brasileiro já sabe, e o noticiário tem informado, é que o nosso setor público opera no vermelho há tempos. Então não tem condições de investir (não confundir capacidade de investimento público com receitas vinculadas à educação e saúde, por exemplo). De acordo com muitos analistas de mercado, a cultura política brasileira é a de que se o setor público investir, isso pode encorajar o setor privado a investir mais. Isso nos leva ao Terceiro ponto: Investimentos Privados (compõem-se de recursos financeiros de nacionais e estrangeiros) necessitam de um ambiente seguro para os desembolsos. O Brasil, no momento, passa longe de apresentar um ambiente tranquilo e que ofereça garantias mínimas, aos investidores, de que as regras não venham a mudar no decorrer do jogo. Tem mais pontos, mas vamos ficar com os que foram destacados até aqui.

Para se ter certeza de que o País saiu da crise, é necessário que o PIB continue numa linha ascendente, ou seja, demonstrando crescimento por um determinado período de tempo, no mínimo por um ano inteiro. Estamos ainda com a economia apresentando altos e baixos. Um exemplo disso são os indicadores de desemprego: no último trimestre de 2017 muitos comemoraram a queda do desemprego, por menor que tenha sido. Já no primeiro trimestre de 2018, o desemprego apresentou índices de alta novamente. Desse ponto de vista, ainda não há o que se comemorar.

Outro indicador importante se refere ao consumo das empresas. Isso quer dizer que, pelo que as empresas consomem de recursos de produção, podemos prever se pode acontecer uma tendência de aumento no PIB. Nesse caso, os indicadores apontam que o consumo das empresas, no que se refere aos bens de capital (máquinas, implementos, matérias primas, etc.) não estão crescendo. Não pelo menos num nível que possa sinalizar crescimento do ponto de vista macroeconômico.

Outra situação que não está a favor da economia brasileira neste ano é o fato de que é um ano de eleições para cargos importantíssimos para a tomada de decisões (Executivo e Legislativo Federal). O mercado está de olho nas alternativas que temos: Quem defende o quê? Será um agente econômico que tenderá a interferir mais ou menos na economia? Com que objetivos? Se ninguém sabe o que virá, como investir? Como fazer compromissos tributários, trabalhistas, etc. se não há previsibilidade no cenário futuro? E as leis com as suas garantias (???) e punições (???)? O que esperar do Brasil que vai sair das urnas??? Se você é um empreendedor e investidor, o que você faria com tantas incertezas? Acho que a resposta é, praticamente, unânime: NADA. ESPERAR para ver no que vai dar.

Entendeu como é FÁCIL responder quando o Brasil vai sair da crise? Se não existe milagre, as propostas vão começar a aparecer em 2019. Em economia, curto prazo vai de três a cinco anos; médio prazo, vai de cinco a oito/dez anos. Longo prazo, acima de dez anos. Pronto. No curto prazo é difícil resolver tantos problemas e, ainda, começar a ver o retorno de algum investimento. Existe um ditado que diz: “o plantio é opcional, a colheita é obrigatória”. Se os condutores da política econômica plantarem soluções, o que é realmente necessário, então, daqui uns cinco anos começaremos as colheitas. Enquanto isso não acontece, o País precisa ir contando com a “boa vontade” dos investidores chineses (origem da maior parte dos investimentos diretos estrangeiros) que estão colocando muito dinheiro no Brasil em crise. Imagina se o Brasil tomar o rumo certo? Em 2017 entraram US$ 75 bilhões em investimento direto estrangeiro. Torcer para que em 2018 esses estrangeiros continuem a mandar muitos recursos para cá. Se nem os brasileiros entendem o Brasil, imagine os estrangeiros? Se este artigo é otimista ou pessimista, vai do ponto de vista do leitor. O Brasil é muito RICO. Se não fosse, já teria sucumbido para um poço muito mais profundo.

 

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