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25 de abril de 2018 | 12h 27
Economista Cleide Martins traz o tema: Crescimento e Desenvolvimento Econômico
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Publicado por: Redação JC

Cleide Martins escreve a coluna de Economia no JC, todas as QUARTAS. Cleide Aparecida Martins Barillari é economista, cientista social, professora universitária. Especialista em Economia Brasileira e Mestre em Educação.

Em sua coluna a economista traz o tema: Crescimento e Desenvolvimento Econômico

Muito se escuta sobre crescimento e desenvolvimento econômico e, praticamente, todos os dias alguém faz um comentário sobre o assunto. Mesmo sem compreender que CRESCIMENTO é uma coisa e DESENVOLVIMENTO outra. Em tempos de discursos eleitoreiros, ouve-se mais o termo desenvolvimento. Um exemplo clássico de uma frase que não diz nada: “precisamos adotar políticas públicas que promovam o desenvolvimento do País”. Esse tipo de frase é o que todo mundo quer ouvir. O problema é que poucos perguntam como irá ocorrer o desenvolvimento se a economia brasileira mal consegue crescer.

Crescimento se refere a atividades econômicas que promovem o crescimento da produção de bens e serviços. Produzir mais, utilizar melhor os recursos econômicos disponíveis, chegar ao pleno emprego, isto é, produzir com o máximo de eficiência possível bens e serviços originários de uma ampla combinação entre os fatores de produção. Um exemplo simples já será suficiente para se entender que não está havendo crescimento econômico: o desemprego continua muito alto para uma economia que se caracteriza pela utilização intensiva do trabalho no seu processo produtivo e menos de novas tecnologias de produção poupadoras de mão de obra. O crescimento se dá, efetivamente, no longo prazo, pois demonstra com que eficiência essa produção se desenrola. Isso depende de uma série de fatores como a pesquisa de novas tecnologias, de melhorias na organização do trabalho, de uma maior qualificação dos trabalhadores, da disponibilidade de recursos naturais, dentre uma série de outros fatores.

O que se vê na realidade atual do nosso País é uma falta de conexão dos elementos dentro do processo produtivo. Falta-nos uma organização econômica efetiva, ou seja, regras claras de como os investidores podem reunir os fatores de produção e colocar em prática um planejamento de médio e longo prazos que possibilitem a confiança necessária nos investimentos produtivos. O Brasil tem muito ainda para crescer. Os indicadores econômicos básicos apontam que nós podemos, dentro de um cenário de confiança nas regras do jogo (aí entram os desdobramentos políticos), aumentar a nossa produção através de novos investimentos essenciais para a busca do desenvolvimento econômico. Exemplos simples estão aí sob os nossos olhos: infraestrutura urbana, envolvendo saneamento básica e transporte; infraestrutura de transportes, onde nossas vias precisam ser recuperadas (terrestres, aéreas, fluviais, marítimas); infraestrutura educacional, investindo em pesquisa e desenvolvimento (o famoso P&D), dentre muitos outros exemplos de necessidades urgentes de investimentos. Se tentarmos suprir somente o básico, já serão investimentos volumosos o suficiente para alavancar o crescimento econômico por um bom tempo.

Mas e o DESENVOLVIMENTO econômico? Como se dá? Desenvolvimento econômico se reflete na qualidade de vida de uma sociedade. Quando a coletividade passa a contar com educação de qualidade, educação que seja inclusiva e não para poucos, além de formar seres pensantes, também pesquisadores de novas tecnologias e processos eficientes para o conjunto da economia; saúde que atenda minimamente as necessidades de todos; segurança para ir e vir, rodovias, ferrovias, portos e aeroportos que escoem os fluxos de pessoas e produtos; infraestrutura urbana que comece a alterar os padrões de saúde, isto é, água tratada e redes de esgoto bem organizadas, para deixarmos de tratar as consequências e passarmos a adotar uma medicina preventiva (nisso o Brasil passa longe); quando empreendedores e investidores tiverem canais concretos de comunicação para que os investimentos encontrem novos caminhos; quando, principalmente, deixarmos de pensar que todos os problemas serão resolvidos pelo Estado e não pelas pessoas. Mas, talvez o mais importante no momento, que as pessoas acreditem que só se vive em uma democracia quando a LEI é igual para todos, ou seja, onde ninguém esteja acima dela por questões de sobrenome, cargos, condição financeira e outras mazelas do nosso cotidiano.

Portanto, devemos reconhecer de antemão que os problemas econômicos brasileiros só podem ser resolvidos no longo prazo. Se existisse fórmula mágica, o desenvolvimento viria antes do crescimento. CRESCIMENTO ECONÔMICO é uma variável quantitativa: sem recursos de produção não se produz crescimento, isto é, o PIB não cresce. Sem esse crescimento (investimentos) não se vislumbra os seus ganhos. DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO é uma variável qualitativa: depois de construirmos uma estrutura econômica sólida é que poderemos usufruir dos seus benefícios. Aí estamos falando de qualidade de vida. É por isso, então, que estamos fadados a continuarmos com nossas misérias e bem distantes das condições mínimas que nos retirem da posição de País subdesenvolvido e atrasado que realmente somos.

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