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Uberaba

29 de maio de 2015 | 13h 34
Mídia: quem te viu, quem te vê...
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Filipe Neri
filipeneri-geotrip@outlook.com.br
Publicado por: Filipe Neri

De um tempo para cá ouvimos falar sobre vários assaltos na Cidade Maravilhosa. Em diversos casos, os assaltantes se aproximam com armas brancas, ou até mesmo de fogo, e abordam os cariocas e os turistas. E tudo isso durante o dia, em plena luz do sol, quando as ruas estão movimentadas, cheias de pessoas e veículos. Só para relembrar, teve o caso do médico que estava andando de bicicleta, a chilena descansando com o seu cachorro em um parque, alguns moradores voltando para suas casas após o trabalho, entre outras mil situações.
A minha primeira vez no Rio de Janeiro foi em 2010, com a turma da faculdade. Fui com muito medo, porque foi em uma época que acontecia muitos arrastões. Depois, voltei em 2011, 2013 e 2014, e logo vi que o Rio não era tão igual ao que a mídia representa. Claro, ele é uma das cidades mais violentas do Brasil, no entanto as reportagens, os programas de TV, as rádios, geralmente transmitem os fatos de uma forma exagerada. Mesmo assim, o Rio de Janeiro é realmente uma das cidades mais bonitas do mundo, com várias atrações e estrangeiros. Eu, particularmente, adoro ir para lá. 
Nessas três vezes que visitei a Cidade Maravilhosa, fui assaltando uma vez, em 2013. Todos já devem ter ouvido falar: “Em cidade grande, turista não pode ser ‘bobo’, tem que ter atenção e ser esperto para não ser passado para trás”. Nessa viagem, não levei essa dica tão a sério. Estava no lugar errado e na hora errada. Fui abordado por dois homens, dizendo que iriam me esfaquear se eu não passasse o meu celular e dinheiro. Essa foi uma experiência terrível, que só quem já passou, sabe o que é de fato. As palavras dos bandidos nunca saem das nossas cabeças. Ainda com essa realidade, minha vontade de sempre voltar ao Rio continua. Então, logo, logo, estarei lá novamente.
Para expressar um momento da minha primeira ida à Cidade Maravilhosa, publico aqui uma crônica que escrevi especialmente para o livro “O espaço como intérprete do tempo – crônicas das geografias do Triângulo Mineiro”, organizado pela minha ex-professora Amanda Regina Gonçalves, da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), desenvolvido pelo Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência.
Leiam com atenção! Espero que gostem!

 

Capa do livro de crônicas/ Fonte: arquivo pessoal


Mídia: quem te viu, quem te vê...

Filipe Neri Flores

Os meios de comunicação social, ou seja, a Internet, a televisão, os jornais e os programas de rádio são usados objetivando de uma comunicação em massa, mais conhecida pelo nome de mídia de massa, que acaba por formar a opinião pública de grande parcela da população sobre acontecimentos, fatos, lugares, pessoas, empresas, produtos...
As mídias são, de fato, uma das maneiras para que a população fique bem informada. Todos podem assistir, ler ou ouvir informações sobre acontecimentos de qualquer lugar do mundo, atualmente em tempo real.
Na maioria das vezes, temos certeza de que todas as mídias só passam notícias verdadeiras, de que a população pode acreditar plenamente em tudo o que as mídias veiculam para a sociedade.
Durante o período em que estava na Universidade, minha turma e eu realizamos vários trabalhos de campo, e um dos que mais gostei foi a ida para a Cidade Maravilhosa, o Rio de Janeiro. Era a minha primeira vez nessa metrópole, que só conhecia através de fotos e das coisas que as mídias transmitiam.
Nessa época, uma das coisas de que mais se falava sobre o Rio era sobre os famosos arrastões, que aconteciam e que até hoje acontecem, entre outras formas de violência que ocorrem na cidade.
Como era a minha primeira vez e de outras pessoas também nessa linda cidade, fomos tomados pelo pânico e pelo medo de estar em um dos lugares mais violentos do mundo.
Fomos a vários lugares lindos, conhecemos diversos pontos turísticos, alguns lugares sobre os quais estudamos em sala de aula, e também realizamos passeios à noite, para conhecermos a vida noturna da cidade.
Em um desses passeios noturnos, estavam comigo mais quatro pessoas. Ao entrarmos no beco em que o hostel estava localizado, ouvimos barulhos, semelhantes ao de tiros realizados por armas de fogo e a única reação que tivemos nesse momento foi de gritar loucamente e sair correndo daquele lugar.
Porém, quando chegamos ao final daquela rua sem saída, nos sentimos encurralados, sem ter para onde fugir e logo vieram aqueles pensamentos de que iríamos ser mortos. Pior ainda, longe da família e de outras pessoas de que gostamos.
Foi uma sequência de tiros, durante alguns segundos ou minutos, não sei bem, mas pareceu uma eternidade. Para a nossa surpresa e principalmente para o nosso alívio, quando olhamos para frente, nos deparamos com uma Kombi antiga, caindo aos pedaços, e fazendo barulho pelo escapamento como se fossem tiros de armas de fogo. Olhamo-nos uns aos outros, olhamos também para os lados, para ver se alguém havia presenciado aquele episódio, e logo caímos em gargalhadas. Aquilo não era um mico, mas sim um “King Kong”, de tão grande que foi o nosso vexame.
Vexame que devemos à mídia e à nossa “crença” nas matérias “verdadeiras” que ela transmite. A mídia nacional e internacional adora veicular uma visão sensacionalista sobre tudo, e esquecem muitas vezes de mostrar as características e o cotidiano dos lugares e as boas atitudes das pessoas. Isso pode explicar porque muitas pessoas, tanto brasileiras quanto estrangeiras, têm medo de visitar o Rio de Janeiro. Mas também pode nos levar a pensar e analisar até que ponto podemos ou não acreditar em tudo o que os meios de comunicação de massa transmitem para nós e para a população em geral e, mais que isso, podemos reformular a visão que temos do Rio de Janeiro e de tudo o mais que possamos achar que conhecemos via TV.

 

Fotos: arquivo pessoal

 

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