Tempo em
Uberaba

08 de junho de 2020 | 22h 08
Em plena luz do dia
comentário(s)
A+ A-
PUBLICADO POR
Luísa Cunha
luuisacunha@gmail.com
Publicado por: Luísa Cunha

Luísa Cunha Oliveira escreve a coluna de Bem Estar & Saúde no JC e é Psicóloga Clínica formada pela Universidade de Uberaba. Atua na abordagem análise transacional com ênfase em relacionamentos interpessoais e transtormos relacionados a fase adulta.

Em sua coluna ele traz o tema - Em plena luz do dia​

Sou branca, cabelos loiros, classe média, mulher e heterossexual! Eu me considero parte do grupo privilegiado de pessoas e isso não faz de mim racista ou homofóbica. Isso faz de mim alguém que tem sede de humanidade e está de peito e mente abertos pra aprender cada dia mais sobre racismo estrutural e grupos de pessoas não privilegiados ou minoritários.

Não sei se todos que vão ler esse texto estão a par dos acontecimentos do mundo, mas se você chegou até aqui; que bom! Aqui pretendo discorrer a respeito dos últimos acontecimentos racistas, disseminar o (pouco) conhecimento que tenho a respeito e trazer reflexões sobre a doença social do momento!

Pra quem não vive no planeta Terra; George Floyd era um homem preto que foi morto brutalmente por um policial branco. O policial ajoelhou-se durante longos 8 minutos em cima do pescoço de George, enquanto o mesmo repetia constantemente que não conseguia respirar, até que isso ocasionou sua morte. Isso aconteceu em plena luz do dia 25 de maio de 2020 em Mineapolis, Minnesota, EUA. O motivo? Floyd portava uma identidade falsa! Esse foi o caso que chocou o mundo e vem desencadeando uma onda de protestos nos EUA!

Fico aqui pensando que esses manifestos vem em nome de um “basta”. Um “basta” gigantesco e gritante da maioria da população preta oprimida. Uma população com quem além de termos uma dívida imensa e quase impagável, devemos respeito, cuidado, atenção e humanidade. Acredito que esse “basta” vem sim dentro de uma sociedade adoecida, em que o “ter”, a “cor” ainda tem se mostrado ter mais valor por mais mesquinho que isso seja. Uma sociedade preconceituosa, maniqueísta e irresponsável. Irresponsável sim, por ter aceitado, guardado e se calado durante tanto tempo para inúmeros absurdos racistas que acontecem dia após dia e que são desqualificados sem pensar.

É chocante que em pleno século XXI um homem precisou ser morto para que a nossa sociedade acordasse e qualificasse o racismo e o falar e aprender sobre, dentro da devida importância.

A reflexão que eu gostaria de deixar hoje é: “Com quantos George Floyds você já cruzou seu caminho?” Quantos deles dizem “eu não consigo respirar” em seu dia a dia? E quantos tem medo de dizer? Quantos pretos tem na sua faculdade particular? E na sua escola frequentada pela maioria de classe média? Quantos pretos tem no seu grupo de amigos? Quantos pretos lerão esse texto ou tem acesso a informações?

Que esse “basta” continue sendo dito ao mínimo sinal de racismo e que façamos nossa parte para que isso aconteça. Que mais nenhuma alma precise ser morta vítima de uma violência tão rude e cruel. Racismo mata! Que a alma de George Floyd descanse em paz. 

Comentários

NEWSLETTER
Cadastre-se e receba as novidades do
JC diretamente no seu e-mail:

 



  Agência Digital  
Todos os direitos reservados © 2020 · Jornal da Cidade