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Uberaba

03 de fevereiro de 2020 | 17h 37
E o que acontece depois do “felizes para sempre”?
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PUBLICADO POR
Luísa Cunha
luuisacunha@gmail.com
Publicado por: Luísa Cunha

Luísa Cunha Oliveira escreve a coluna de Bem Estar & Saúde no JC e é Psicóloga Clínica formada pela Universidade de Uberaba. Atua na abordagem análise transacional com ênfase em relacionamentos interpessoais e transtormos relacionados a fase adulta.

Em sua coluna ele traz o tema - E o que acontece depois do “felizes para sempre”?

Não perguntei a Cinderella, nem a Branca de Neve e também não tive a chance de perguntar a Bela Adormecida! Mas tenho a certeza de que depois do “felizes para sempre” a vida não se tornou maravilhosamente perfeita, pelo simples fato de um relacionamento ter se iniciado em suas vidas!

Claro. Contando que Cinderella não precisou mais lidar com suas irmãs maldosas ou sua madrasta perseguidora, e Branca de Neve e Aurora se viram livres da Bruxa Má, acredito que a vida tenha se tornado no mínimo, menos complicada! Mas então eu penso; essas princesas foram morar em outros lares (castelos), com costumes diferentes, e provavelmente familiares de seus respectivos príncipes... e ainda que; com uma ótima condição financeira, precisariam pedir a seus maridos, um vestido novo ou um sapatinho de cristal, que fosse! Afinal, Fadas Madrinhas atendiam apenas a moças em situação de calamidade - pelo que entendi -! O que não seria mais o caso das princesas após se casarem... certo?!

Bom... por mais que tivessem se adaptado facilmente, não tivessem problemas quaisquer com seus príncipes ou com suas novas famílias, isso me faz questionar: “E agora?”

Afinal, o que eu quero dizer é que não consigo imaginar uma vida perfeita após um casamento ou uma mudança drástica em vida! Aliás, até entendo que pode ser diferente e bem mais leve, mas sem problemas ou conflitos nenhum como é imagem a vendida pelos Contos de Fadas acho de fato, bastante impossível!

Claro, que sempre defendi que os filmes e historias encantadas devem ter finais felizes porque a vida já nem sempre é! Mas qual a mensagem que esses Contos passam? Que se nós mulheres, formos boazinhas e aceitarmos as coisas da vida com passividade, renúncia e educação, vai aparecer uma Fada Madrinha para resolver os nossos problemas? Ou os Sete Anões terão compaixão com a nossa solidariedade? Ou até mesmo, que um príncipe, que não convivera mais de algumas horas conosco vai aparecer e se apaixonar perdidamente por nossas personalidades únicas, levando-nos para seus respectivos reinos?! Minha nossa! Haja príncipe neste mundo!

Sabe; o que de fato quero dizer é que a vida não é um Conto de Fadas, e isso é óbvio, então porque devemos insistir em romantizar as situações ruins ao invés de nos colocarmos como protagonistas e donos do desfecho? Acredito que seria mais interessante ensinar as crianças que elas podem ter autonomia, ao invés de ensinar que a vida deve decidir onde devem estar!

Por mais confuso que isso possa parecer, mesmo após a infância, novelas, revistas de fofocas, redes sociais e mídia em geral, insistem em vender a velha história do mocinho e do vilão! Da vítima e do perseguidor! Quando na realidade, a vida não impõe apenas esses papéis! Não existe o mocinho que faz tudo certo! Ou a princesa bondosa e carismática e nem a Fada Madrinha salvadora. Ninguém é só uma coisa ou só outra. Ninguém vai conseguir agradar a todo mundo e está tudo bem. Passar a vida comprando essa visão maquiavélica, não me parece uma boa ideia!

É preciso se permitir! Permitir se colocar onde quisermos na vida! Sejamos homens ou mulheres, tendo esta ou aquela sexualidade. É preciso resiliência, maturidade, vontade, e seria muito mais saudável se a mídia passasse a vender essa imagem e focasse nestas características!

As vezes vamos errar, acertar, concordar, estar confusos, e aí?! O que convém querer depois do “Felizes para Sempre”? E afinal, isso existe? E o que seria felicidade pra você? Se permita colocar-se onde quer estar. Mesmo que essa posição não seja a do mocinho, a do vilão, a da princesa indefesa, ou a de uma fada salvadora. Mesmo que essa posição seja apenas: VOCÊ!

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