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23 de dezembro de 2019 | 18h 29
Vida Natalina
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PUBLICADO POR
Luísa Cunha
luuisacunha@gmail.com
Publicado por: Luísa Cunha

Luísa Cunha Oliveira escreve a coluna de Bem Estar & Saúde no JC e é Psicóloga Clínica formada pela Universidade de Uberaba. Atua na abordagem análise transacional com ênfase em relacionamentos interpessoais e transtormos relacionados a fase adulta.

Em sua coluna ele traz o tema - Vida Natalina

E mais um natal e ano novo se aproximando. Em véspera de festas de fim de ano observo grande movimentação das famílias para se encontrarem, e mesmo que não se deem tão bem, eu só consigo pensar: que bom!

Não sei mesmo se o que dizem é verdade sobre todas as famílias serem todas iguais, mas sobre a minha; somos em treze quando nos reunimos em datas comemorativas. Isso mesmo, treze tios e tias paternos. Meus avós paternos se deram ao luxo de terem quinze filhos, mas somente treze sobreviveram até o atual momento.

E agora, imaginem só, treze seres humanos que viveram suas vidas até então e construíram outras treze famílias, com seus respectivos esposos, esposas, filhos e filhas. Imaginem a grandeza de minha família quando nos reunimos todos... Mas onde quero chegar afinal!? Bem... indo direto ao ponto, o que quero dizer é que nossa família, apesar de grande, talvez não seja tão unida quanto a da propaganda de margarina, ou como a da música “A Grande Família”. Minha família também não se reúne ou encontra sempre e muito menos tem a mesma opinião política, partidária ou religiosa.

Acreditem, meus tios, apesar de serem em grande número, e terem sido criados por um mesmo pai e mãe... apesar de terem crescido em um mesmo lar e serem cercados por praticamente as mesmas “oportunidades”, são total e completamente diferentes. Com uma semelhança aqui e ali, mas com muitas diferenças. Isso me fez refletir sobre as vezes em que perdi a paciência com a geração anterior. Me fez pensar nas vezes em que observei a minha família deixando de se reunir por uma briga que eu não entendi o motivo, ou sobre as vezes em que um “patriarca” impôs uma verdade questionável por alguém da minha geração. O que me fez questionar uma série de outras verdades internas...

Olhando para as muitas diferenças gritantes dentro de um mesmo sistema familiar, eu só consigo pensar que talvez precisemos pedir ao bom velhinho esse ano, mais paz para os próximos anos. Que nós paremos de romantizar as relações e entendamos, de uma vez por todas, que nem mesmo em nossa família os outros são obrigados a agir de acordo como nós agiríamos em certa situação. Que tenhamos mais tolerância para ouvir as opiniões diferentes mesmo que não sejam as mesmas que as nossas e que saibamos respeita-las mesmo que não concordemos.

Que entendamos que está tudo bem ser, pensar ou agir diferente e isso não implica em ter que se afastar, parar de se ver ou se encontrar. Que papai Noel esse ano, nos traga mais consciência de nossos sentimentos e mais sensatez ao se impor quando não gostamos de algo ou temos um “problema” a ser resolvido com alguém. Que a gente tenha mais calma com a família e se disponibilize, pelo menos uma ou duas vezes ao mês, para se encontrar e conversar sobre qualquer passa tempo. Não por ser um ritual ou uma tradição, mas porque sei que já houve e há muito amor em cada família, mesmo que de seu jeito peculiar.

Que a gente ganhe maturidade de presente, pra entender que nem sempre o que queremos de um outro, que seja um abraço, um beijo, um carinho ou um “eu te amo”, esse outro vai ter pra dar, e que a gente busque em alguém que a gente saiba que de fato vamos encontrar o que precisamos. Mas que a gente ganhe maturidade pra saber o que procuramos e para selar relações com amor na família.

E finalmente, que a gente entenda que nem tudo que a gente aprende precisa de fato ser carregado por nós durante anos e anos só porque a família quem nos passou, mas que a gente respeite, pois de um jeito ou de outro, era isso que quem um dia nos amou teve pra nos dar.  Que a gente assim, tenha melhor convivência em família, porque se existem brigas é porque ainda existem sentimentos e que jamais deixemos a indiferença nos atravessar. Que a gente leve isso pros amigos, pros vizinhos, pros colegas... pra vida. Que a gente ceie o natal em paz e a leve com a gente em muitas outras ocasiões.

 

  

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