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04 de outubro de 2019 | 00h 55
A cultura do complicado
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PUBLICADO POR
Luísa Cunha
luuisacunha@gmail.com
Publicado por: Luísa Cunha

Luísa Cunha Oliveira escreve a coluna de Bem Estar & Saúde no JC e é Psicóloga Clínica formada pela Universidade de Uberaba. Atua na abordagem análise transacional com ênfase em relacionamentos interpessoais e transtormos relacionados a fase adulta.

Em sua coluna ele traz o tema - A cultura do complicado

Às vezes fico me perguntando o que afinal é felicidade e porque as pessoas tem tanto medo dela! Hora não está bom porque não se ganha muito, hora o seu grande amor está com outra pessoa, hora alguém faz uma fofoca da sua pessoa e ainda; hora o seu marido não tem lhe dito tanto quanto você gostaria que te ama e que você é importante.

Observo mães que não são reconhecidas o suficiente, amigos que não confiam totalmente, e muita, mas muita gente em busca de algo que nem sabe o que é! Sei lá... posso estar errada, mas há momentos em que eu acho que o brasileiro gosta mesmo é do complicado. Complicar pra pegar um atalho quando finalmente quiser e dizer “Dei o meu jeitinho, mais uma vez! Não foi do jeito que eu queria, mas dei meu jeito.”

Afinal, se você está em um relacionamento: não sabe se casa ou se compra uma bicicleta, se está solteiro a vida parece um limbo de solidão. E a parte boa? E o que se pode fazer pra sair da ilha de estagnação e nadar em direção a praia da felicidade? De qualquer modo, bem vindo ao time, no mais, quem sou eu pra falar em satisfação?!

Eu tenho uma teoria de que a gente não tenta porque tem medo do resultado. Não termina uma relação porque tem medo de ficar sozinho, não presta uma prova porque reprovar dói mais, não se declara porque é melhor viver em dúvida do que escancarar que o “amor da vida” não é o “amor da vida...”

Me incluo no grupo da complicação quando me queixo pela enésima vez ao meu analista: “...mas pra mim nunca dá certo, sabe?!” E sabe, esses dias me peguei pensando no que de fato seria dar certo e senti por dentro uma pontada de ingratidão. Afinal, o que seria dar certo? Acho que lá no fundo, lá no fundinho mesmo, a gente carrega uma cultura do complicar, do “compliquismo”, do querer e não poder... olhemos para as novelas, para as séries, para as músicas das quais somos cercados! Se não tiver complicação, não tem história! Mas a verdade é que ainda existe quem prefira os finais felizes! E você? Prefere qual tipo de final?

 

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