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09 de agosto de 2018 | 16h 24
#DicaNetflix: precisamos falar dos porquês! (Crítica da série 13 Reasons Why)
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Cláudio Ribeiro
claudiodesousa@gmail.com
Publicado por: Cláudio Ribeiro

#DicaNetflix - precisamos falar dos porquês! (Crítica da série 13 Reasons Why)

Há algum tempo venho querendo escrever sobre este seriado. Lançada em 2017, a série com aura “teen” aborda um tema que é pouco explorado pela grande mídia, o suicídio. Na trama, a jovem Hannah Baker (Katherine Langford) deixa 13 fitas gravadas previamente ao seu suicídio, onde ela explica os motivos que a levaram a tomar tal atitude. Só que não para por aí, os esclarecimentos dados por Hannah levam em conta personagens que circundaram sua vida e, segundo ela, foram os culpados pela sua decisão fatal.

A série caiu como uma bomba no cenário midiático. Por um lado, tivemos pessoas e especialistas dizendo que abordar este tema (suicídio) da forma que foi feita, não é uma coisa certa de se fazer (segundo eles pode estimular pessoas com problemas psicológicos a tirarem as próprias vidas). Por outro lado, tivemos aqueles que acharam a série importante por ressaltar um problema social que não é muito difundido e tratado com a devida relevância. No meio dessa divergência, é importante ressaltar que a série se trata de uma ficção, assim como diversas outras, e no fundo, o seu objetivo (e dos produtores) é ajudar pessoas a não cometerem o mesmo erro de Hannah.

Na minha visão a série é importante. Se você é um pai, uma mãe, um(a) educador(a), ou até um jovem, a série PODE sim ajudar. Primeiro, porque mostra alguns fatos que muita das vezes são mascarados pela sociedade. Todos estes fatos acabam se resumindo a uma conduta totalmente banal e reprovável que é o bullying. Para quem não sabe, bullying é toda prática abusiva que violenta física ou psicologicamente alguém, de forma intencional, repetida, praticada por um ou mais indivíduos causando dor ou angústia àquele que é o foco do ato. Eu sofri bullying na escola, eu vi atos de bullying na escola, meus ex-alunos (aos quais agradeço pelos depoimentos dados) sofreram ou viram também atos similares aos da série nas suas vidas escolares (e olha que há mais de uma década de diferença entre minha juventude escolar e a deles).

Muitos acham que o bullying é “mimimi”. Deixem as crianças brincarem, diriam alguns. Mas isso é sério, e não uma simples brincadeira. Quando você é a vítima desta prática, você está sendo menosprezado, diminuído, rebaixado ou ainda tendo alguma coisa que o envergonha sendo exposto e exacerbado. Diante disso não há motivo que justifique tais ações de forma sã.

Porém, além do bullying, a série escancara um outro tipo de violência mais específica: o abuso dos homens perante as mulheres (ou ainda, o poder que alguns homens acham que detém e podem usar desenfreadamente, especialmente para se auto afirmar perante os demais). Tudo isto serve muito claramente para que todos nós liguemos o sinal de alerta. Tais situações não devem ser estimuladas ao nosso redor, nem serem tratadas como se fossem normais. No século XXI, isso não cabe mais. Na verdade, nunca coube, mas em tempos de tanta modernidade e avanço (em todos os sentidos), práticas abusivas devem sempre ser desestimuladas e repreendidas.

Enfim, no seriado vemos jovens com problemas que a maioria que está lendo este texto vivenciou na sua adolescência (ou vivencia). E para problemas devemos procurar soluções, auxílio, ajuda. A Hannah, protagonista da série, era uma jovem linda, que tinha seus pais presentes, amigos, um trabalho fora da escola, tirava boas notas. Alguns poderiam a ver tal cenário e se perguntar: ora bolas, que problemas pode uma moça dessa ter? Mas sim, todos nós temos problemas. Eles independem da nossa beleza, da cor da nossa pele, do nosso credo ou do time que torcemos. Algumas vítimas podem ter receio de conversar ou procurar ajuda com outros. Em alguns casos, até procuram, mas não deixam claro o que está acontecendo. Assim, cabe aos demais tentar identificar sinais que eles nos passam, e assim, evitar danos maiores.

Diante de tudo isso, percebemos a quão valiosa é a série. Ela exagera em alguns pontos sim (especialmente na sua segunda temporada que parece mais longa do que de fato deveria ser), mas é uma produção que merece ser conferida. Seus erros ficam mais para questões técnicas ou em situações que o excesso mostrado em tela aparenta ter sido mostrado daquela forma para evidenciar ainda mais o cuidado que devemos ter com as circunstâncias apresentadas. Desta forma, percebe-se que a trama pode te ajudar a abrir os olhos dentro de casa, dentro da escola, dentro do seu convívio social. Quem sabe você não possa salvar ou ajudar alguém. A série encontra-se disponível no serviço de streaming NETFLIX.

 

Nota da primeira temporada: 8/10.

Nota da segunda temporada: 7/10.

 

TRAILER DA PRIMEIRA TEMPORADA: www.youtube.com/watch?v=nHdoAaLiU2E

TRAILER DA SEGUNDA TEMPORADA: www.youtube.com/watch?v=9ZaS5y2ZMzc

 

* TODAS AS IMANGES SÃO REPRODUZIDAS DA INTERNET

Cláudio Ribeiro de Sousa é Mestre em Ciência da Computação, Professor e fanático por cinema e séries de TV.

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