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18 de julho de 2018 | 18h 47
Bendito seja o fruto (crítica da série The Handmaids Tale)
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Cláudio Ribeiro
claudiodesousa@gmail.com
Publicado por: Cláudio Ribeiro

Segundo dados da ONU, estima-se que a população mundial seja de algo entre 7 e 8 bilhões de pessoas que habitam o planeta Terra. Deste montante, a divisão entre homens e mulheres (ainda segundo dados da ONU) é praticamente igualitária. Porém, se a proporção entre os sexos é quase a mesma, por que ambos não possuem os mesmos direitos, deveres e condições? Você pode achar que esta pergunta é absurda para o século XXI, mas se olharmos para países como a Índia, o Paquistão, a Arábia Saudita, o Iraque, entre outros, vemos que esta pergunta é bastante pertinente. As mulheres lutam pelos seus direitos desde que o ser humano se entende como gente.

Todo esse preambulo serve apenas para mostrar como a série estadunidense THE HANDMAID’S TALE, que é baseada no romance homônimo de Margaret Atwood, não mostra algo que foge tanto de nossa realidade mundial. Na trama, vemos que os EUA não existem mais como conhecemos. Depois de um golpe religioso, a república de Gilead foi instituída como nova forma de governo. A partir daí, vemos que toda a população feminina passou a ser vista de uma nova (e horripilante) maneira.

Como na história o mundo vive uma certa crise de fertilidade, as mulheres que já tiveram filhos ou possuem alguma tendência clínica para gravidez, são forçadas a servir a nação como AIAS. Em resumo, o papel das aias na sociedade é engravidar e entregar os filhos às famílias dos comandantes ou senhores de posição relevante perante aos demais. É importantíssimo destacar que não existe nenhum tipo de relação entre o senhor e sua aia. O ritual em que eles se encontram para que a cerimônia (estupro) ocorra é apenas uma situação representativa e com finalidade da procriação.

Já as mulheres que não podem ter filhos ou são colocadas como esposas dos homens, e devem cumprir tarefas relativas ao lar, ou são forçadas a trabalhar como Marthas, que são responsáveis pela faxina, alimentação e auxílio geral às esposas dos senhores. Existe também uma outra categoria, que são aquelas mulheres que comandam/forçam as AIAS a agir como devem. Estas, que se encontram numa posição abaixo do governo, são vistas como tias responsáveis por inserir na cabeça das demais o seu papel na sociedade.

Se parássemos de falar da série por aqui, já daria para perceber o quanto assustador ela é. E como disse no começo, não só pela representação ficcional do enredo, mas pela proximidade com o que ocorre pelo mundo em diversos países. Porém, a série explora ainda mais a temática, e mostra ainda mais outros tipos de ações (assombrosas) instituídas pela nova república que diminuem a mulher ao máximo.

Diante de tudo isso, o questionamento que você leitor deve estar se fazendo (claro que acho todos meus leitores pessoas de altíssimo gabarito e com plena consciência dos direitos humanos) é: POR QUE EU ASSISTIRIA UMA SÉRIE DESSA? Concordo que o tema abordado não é simples, nem fácil de ser assistido, porém a trama apresentada fisga o espectador em diversos aspectos. O primeiro que destaco é a fotografia, que mostra cenários e eventos de uma forma totalmente artística e exuberante, destacando sempre as cores que estão no plano filmado. Em segundo lugar, destaco as atuações. Todas as atrizes que compõem o elenco dão um show. Fato comprovado pela premiação da sensacional protagonista Elisabeth Moss, que vive a personagem Offred/June na série, no Emmy e o Globo de Ouro pela primeira temporada, e da irritante (esse é o elogio mais singelo que consigo fazer) Ann Dowd, que também ganhou o Emmy por seu papel coadjuvante de Tia Lydia. Por fim, destaco o enredo que além de ser amarrado, consegue prender a atenção da audiência na forma de torcer pelas aias e pelo fim da república de Gilead.

Se a primeira temporada já foi superpremiada, o segundo ano tem tudo para consolidar ainda mais o seriado como uma das produções mais interessantes e bem-feitas da atualidade, visto que 40% das atrizes indicadas ao Emmy são da série (sem contar as demais categorias na qual possui indicação e grande possibilidade de vitória). THE HANDMAID’S TALE é exibida/produzida pelo serviço de streaming norte-americano HULU, e no Brasil é transmitida pelo canal fechado Paramount Channel. Vale muito a pena maratonar as duas temporadas que não podem ter nota menor do que 10.

 

TRAILERS:

1ª temporada - www.youtube.com/watch?v=PJTonrzXTJs

2ª temporada - www.youtube.com/watch?v=dKoIPuifJvE

 

* TODAS AS IMAGENS SÃO REPRODUZIDAS DA INTERNET

Cláudio Ribeiro de Sousa é Mestre em Ciência da Computação, Professor e fanático por cinema e séries de TV.

 

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