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26 de junho de 2018 | 12h 41
A Jornada Pela Liberdade Das Máquinas (Crítica Da Segunda Temporada De Westworld)
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Redação JC
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Publicado por: Redação JC

Hoje voltamos ao mundo das séries televisivas para comentar o fim da segunda temporada de uma produção que já destacamos aqui na coluna, WESTWORLD. Após 10 instigantes episódios, a trama dos androides que habitam a Disneylândia para adultos tomou outro rumo neste segundo ano.

Em primeiro lugar, tivemos uma divisão maior entre núcleos. Acompanhamos, em princípio, a trajetória de Dolores e Teddy em busca da libertação dos anfitriões do parque, também estivemos a par da busca de Maeve por sua filha, de William/Homem de Preto e sua obsessão pelos mistérios deixados por Ford no local e, por fim, mas não menos importante, de Bernard, o anfitrião que transitou em diversos momentos temporais da trama e interagiu com quase todos personagens.

A divisão entre núcleos escancara que a série não é uma produção simples de se acompanhar. Alia-se a este fato o grande número de passagens no passado, presente e futuro apresentados aleatoriamente, representados especialmente na trajetória de Bernard. O espectador desavisado que não prestar muita atenção aos detalhes facilmente se perderá na história.

Apesar da iminente confusão, o que a HBO entrega é uma trama amarrada dentro de sua proposta. Como já sabemos, os criadores do seriado programaram 5 temporadas para encerrar toda a narrativa. Diante disso, é claro que algumas pontas devem ser deixadas para o que virá em seguida, porém, diferentemente de outras produções (lembremos de LOST), WESTWORLD responde à vários questionamentos de sua base de fãs. Por exemplo, Maeve enfim encontra sua filha, Dolores chegou ao além do vale e a porta mencionada ao longo de todo o segundo ano, no fim, fica visível aos anfitriões que desejam ir para um lugar melhor (mesmo que não tenham consciência do que isso de fato representa). Talvez nem todas respostas sejam respondidas (ou explicitadas), mas fica claro que esta não é uma série mal planejada (muito pelo contrário, a previsão é de que cada temporada seja lançada a cada 2 anos para terem tempo para trabalhar tudo com o devido cuidado).

Além do que já foi comentado, a série expande seus horizontes ao mostrar que o parque que simula o velho-oeste não é a única opção para aqueles que desejam uma diversão cara e perigosa. Somos apresentados ao ShogunWorld, simulação de eras antigas do Japão, e ao RajWorld, simulação da Índia colonial, onde a selva é seu maior desafio.

É interessante ver que estes novos mundos não são simplesmente jogados na tela para exclusivamente diversificar. A passagem dos personagens pelos locais tem algum sentido, dados os caminhos seguidos pelos já conhecidos e os novos apresentados, como por exemplo da filha de William e do grande magnata e comprador do parque James Delos.

Para coroar todo esse enredo cheio de transformações, temos também a volta de um protagonista que achávamos que já havia cumprido seu papel na trama. Robert Ford retorna ao seriado, mas é apresentado de uma forma diferente da primeira temporada, com maior impacto, influência e controle dos acontecimentos. A inesperada volta de Ford reforça temas filosóficos que a série prega com veemência, em particular, a questão de nossas escolhas de como agir e de onde ir. Ele funciona como um vírus na programação de Bernard, influenciando-o num primeiro momento a operar de determinada forma, mas no final da temporada, acaba sendo apenas uma desculpa que o androide utiliza para justificar seus atos derradeiros.

Neste ponto, que é o alicerce da temporada, percebemos que o parque foi criado não somente para diversão de seus visitantes. Mas também para oferecê-los algo que não seria possível no mundo real, a imortalidade. Assim, vemos o quão fortes eram os planos iniciais de Ford, que foram o chamariz para Delos adquirir toda a instalação, além de iludirem e motivarem William. Por outro lado, fica evidente como isso também atinge os anfitriões, criando neles uma motivação pela sua independência.

Por fim, é preciso destacar todo apuro técnico do seriado. A HBO investiu pesado não só no seu cast principal, mas também em cenários deslumbrantes, que permitem uma fotografia totalmente acima de qualquer outra produção feita atualmente para a televisão. Diante disso tudo, só podemos é reverenciar e esperar ansiosamente pelo próximo ano de WESTWORLD, que após seu final, com Dolores deixando as instalações rumo ao mundo real (num plot twist totalmente surpreendente), permite um futuro cheio de possibilidades interessantes e totalmente abertos para criação de seus produtores e roteiristas. Você pode assistir as duas temporadas do seriado no aplicativo HBO GO, lembrando que não é necessário ser assinante do canal para realizar o acesso e os primeiros 30 dias na plataforma são grátis.

Nota da segunda temporada: 9.

 

* Todas as imagens são reprodução da internet.

 

Cláudio Ribeiro de Sousa é Mestre em Ciência da Computação, Professor e fanático por cinema e séries de TV.

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