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21 de junho de 2018 | 09h 53
Agora É A Vez Delas (Crítica Do Filme Oito Mulheres E Um Segredo)
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Redação JC
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Publicado por: Redação JC

OITO MULHERES E UM SEGREDO (OCEAN’S EIGHT - 2018)

DURAÇÃO: 100 MINUTOS

CLASSIFICAÇÃO: 14 ANOS

 

Existe um teste, criado em homenagem à cartunista norte-americana Alison Bechdel, que visa avaliar obras cinematográficas (ou televisivas) quanto à participação das personagens femininas nas telas. Muito mais que avaliar a participação feminina, o TESTE DE BECHDEL busca produções que aproveitam e fazem bom uso destas personagens. E olha que até filmes aclamados por público e crítica falham ao serem analisados por este olhar, como são os exemplos de Star Wars – Episódio IV (de George Lucas), Forrest Gump (de Robert Zemeckis) e (até) Toy Story (de John Lasseter).

Se analisarmos na perspectiva do teste, OITO MULHERES E UM SEGREDO aparentemente passa com louvor na avaliação. Porém, o filme dirigido e roteirizado por Gary Ross apresenta uma “pegadinha” que pode confundir o espectador que busca a resposta. A trama apresenta uma visão diferente de uma produção que já fora apresentada ao público em outras versões (estreladas por homens). E para reforçar esse novo ponto de vista, o filme conta com um elenco estrelar, com nomes das oscarizadas Sandra Bullock, Cate Blanchett e Anne Hathaway, entre outras grandes atrizes.

  

Na trama, Debbie Ocean (Bullock) arquiteta um novo roubo para realizar assim que sair da prisão (e a inteligência da personagem é escancarada logo no início do filme). O objetivo: levar para casa o valiosíssimo colar Toussaint, durante um evento de gala oferecido pela editora VOGUE. Para isso, Debbie necessita da ajuda de sua ex-parceira Lou (Blanchett), da endividada e exótica designer Rose Well (Helena Bonham Carter), da avaliadora de joias Amita (Mindy Kaling), da inteligente estrategista Tammy (Sarah Paulson), da hacker Nine Ball (Rihanna), da ladra de rua Constance (Awkwafina) e da midiática diva Daphne Kluger (Hathaway). Oito mulheres com características e habilidades distintas que devem se unir para fazer o plano ser bem-sucedido (ou não).

Diante desse cenário montado, o filme reproduz a fórmula da produção original, que foi realizada na década de 60 (e tinha como astro principal o cantor Frank Sinatra), além de se conectar com o remake do início do século (estrelado pelos atores George Clooney e Brad Pitt). Dessa forma temos um filme divertido e interessante de acompanhar, pois apesar das semelhanças com as produções anteriores (no formato), substitui a presença masculina do centro da narrativa, dando às mulheres o foco principal, e elas, além de dar um frescor e uma nova cara à franquia, interagem de uma forma bem fluida e complementar (vide a habilidade de cada uma).

O que deixa a desejar é o fato das personagens não serem aprofundadas, pois percebe-se que algumas delas tem vidas pregressas que poderiam ser melhor exploradas. Além disso, ao final, descobrirmos que por trás de tudo, Debbie tinha como sub-objetivo realizar uma espécie de vingança com seu ex-companheiro. É nesse ponto que o filme encontra uma certa barreira para passar no Teste de Bechdel. Para quem não conhece, o teste tem três regras simples: 1 – a produção deve ter pelo menos duas mulheres; 2 – elas devem conversar entre si e 3 – a conversa deve ser sobre algo que não referencie (de nenhuma forma) um homem.

Diante disso, o filme acaba passando raspando no teste, pois se considerarmos que o plano tinha como uma das metas a vingança pessoal de Debbie, a maioria das conversas entre elas tem o canastrão ex-namorado da líder da equipe como uma certa referência (mesmo que distante). Porém como o filme tem diversos diálogos entre as criminosas, podemos considerar que a missão foi cumprida. Deixando isso de lado, temos um filme envolvente e importante ao colocar em cena oito mulheres fortes como protagonistas. Para quem já assistiu aos anteriores, fica o desafio para encontrarem todas as referências apresentadas que fazem a ponte deste com os últimos longas. Nota do filme: 7,5.

Confira o trailer: 

*Imagens reproduzidas da internet.

Por Cláudio Ribeiro de Sousa: Mestre em Ciência da Computação, Professor e fanático por cinema e séries de TV.

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