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29 de maio de 2018 | 21h 17
As pequenas e grandes mentiras que contamos (crítica da série Big Little Lies)
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Redação JC
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Publicado por: Redação JC

Todos nós contamos mentiras. Se você está dizendo agora que não, está mentindo. Independente do tamanho, ou do motivo, a mentira faz parte do ser humano. Seja para salvar um relacionamento, ou apenas para se ver livre de uma situação cotidiana, as mentiras nos cercam e acabam sendo inevitáveis.

Retorno hoje ao mundo dos seriados televisivos para falar de outra premiada produção de 2017. Estrelada por um trio forte de mulheres, composto por Nicole Kidman (vencedora do Oscar pelo filme AS HORAS), Reese Witherspoon (vencedora do Oscar pelo filme JOHNNY & JUNE) e Shailene Woodley (premiada no Festival de Cannes pelo filme OS DESCENDENTES), a HBO lançou ano passado, BIG LITTLE LIES.

A série conta a história, principalmente, das mães Madeleine (Witherspoon), Celeste (Kidman) e Jane (Woodley) que se aproximam, e iniciam uma amizade, quando seus respectivos filhos começam a estudar juntos, em um colégio da cidade de Monterrey, na Califórnia. No início do primeiro episódio, ficamos sabendo que houve um assassinato no local e todos os moradores da região, especialmente os ligados à escola, são suspeitos em potencial.

Percebe-se então que a trama segue uma narrativa não linear, transitando entre passado e presente ao longo de seus sete episódios, e intercalando os depoimentos das pessoas aos investigadores, com cenas do cotidiano dos personagens antes do crime. Tal artifício utilizado pelo diretor francês  Jean-Marc Vallée (do filme CLUBE DE COMPRAS DALLAS), atrai ainda mais a atenção do público e cria uma tremenda expectativa para desvendarmos o que de tão grave aconteceu naquela cidade, e como isso resultou num crime de tanto impacto na vida dos moradores da região, bem como, quem são os envolvidos no incidente (desde o princípio, não sabemos nem quem é a vítima, nem quem é o assassino em questão).

Em um primeiro instante, a impressão que temos é de um seriado abordando a vida de algumas famílias ricas e seus problemas fúteis e inatingíveis por nós, meros mortais. Mas além do suspense criado, a série foca na história das mulheres, abordando temas relevantes como violência doméstica, estupro, bullying, separação, criação dos filhos, entre outros argumentos.

É importante ver, acerca de todos os assuntos tratados, como as mentiras são proferidas, conduzidas e desvendadas no decorrer do enredo por trás de cada personagem. Percebemos o quanto elas podem ser prejudiciais às suas vidas (e as nossas, paralelamente), pois mesmo que pequenas, as inverdades tendem a se tornar um martírio aos envolvidos, além de ocasionar problemas ainda mais graves do que aqueles que poderiam ser esclarecidos com a verdade exposta e encarada de frente. Vejo que por tudo isso, a série conseguiu atrair nomes tão significantes do cinema para seu elenco.

Além das já citadas estrelas cinematográficas, temos também as participações de Laura Dern (JURASSIC PARK) e Alexander Skarsgard (A LENDA DE TARZAN), que por terem atuações de tanto destaque, acabaram sendo agraciados com prêmios do Globo de Ouro, Emmy e Critics Choice Television, pelos seus respectivos papéis. Da mesma forma, a série destacou-se ao receber as estatuetas das referidas premiações, como a melhor de 2017.

Por fim, destaco o apuro técnico da série, tanto na parte visual, quanto na sonora. A trilha do seriado, por exemplo, é composta por canções dos Rolling Stones e de Elvis Presley, além de várias outras que são adicionadas às playlists criadas pela simpática Chloe, filha de Madeleine. A propósito, também é de se salientar o adorável e talentoso elenco jovem, que não deixa a desejar em nenhum momento. A série já foi renovada para sua segunda temporada (volta em 2019), e contará neste segundo ano com a adição em seu elenco princiapl de nada mais, nada menos, que Meryl Streep (dona de três Oscars e diversas indicações ao prêmio principal da sétima arte). Você pode assistir ao seriado pelo serviço de streaming HBO GO. Nota da primeira temporada: 10/10.

* Inicialmente, a produção era tratada como minissérie, e assim foi premiada nos eventos citados. Porém, como foi renovada para uma segunda temporada, passou a ser vista como uma série de fato.

Trailer:

Cláudio Ribeiro de Sousa é Mestre em Ciência da Computação, Professor e fanático por cinema e séries de TV.

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