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22 de março de 2018 | 15h 07
Gabriel Mendes fala "O que significa a (nova) radicalização do PT"
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Gabriel Mendes
gabrielmendes21@gmail.com
Publicado por: Gabriel Mendes

                           

Gabriel Mendes é Cientista social, professor, presidente do Instituto Liberal do Triângulo Mineiro e Coordenador do Livre  em Uberaba,  escreve a coluna de Política no JC, todas as QUINTAS.  

Em sua coluna o sociólogo aborda "O que significa a (nova) radicalização do PT"​:

 

O PT no século passado era conhecido pelo radicalismo de seu programa e dos discursos de seus militantes e políticos. Mas, com a possibilidade de vitória de Lula em 2002, que logo depois se concretizou, o partido se tornou mais moderado em algumas posições e não recusava alianças com políticos patrimonialistas e de direita, antes alvos de suas críticas. Agora, após o impeachment, o PT retoma o radicalismo, com seus líderes proferindo discursos extremistas não vistos há muito tempo.

Entender o motivo pelo qual isso acontece é simples. Ciência Política usa um conceito chamado “Teorema do Eleitor Mediano”, usado para descrever o comportamento médio do eleitorado. Existem muitos eleitores com preferências pela direita ou pela esquerda, mas a grande maioria tem posições que tendem ao centro. Por isso, quando um partido começa a popularizar algumas de suas ideias ou seus políticos, procuram moderar o discurso para alcançar essa maioria e conseguir vitórias eleitorais, especialmente em eleições majoritárias.

Foi exatamente isso que aconteceu em 2002, quando o marketeiro Duda Mendonça criou o “Lulinha Paz e Amor”. Ao ver que Lula vinha ganhando popularidade, mas ainda tinha rejeição devido ao seu histórico de sindicalista raivoso, recomendou que Lula passasse a moderar o discurso, falar mais manso e tomar mais cuidado com a aparência. Deu certo. Mas, anos depois, com a perda do poder, da popularidade do partido e de suas principais lideranças, o discurso volta a ser para sua militância, ávida pela radicalização e pela batalha realizada em outras frentes que não sejam exatamente pacíficas e democráticas.

Essa radicalização demonstra algo evidente: a situação do PT é tão crítica que estas atitudes recentes mostram que eles mesmos têm a consciência de que é muito difícil obter vitórias nas próximas eleições majoritárias. Por isso, a aposta no discurso agressivo para manter a militância coesa nos sindicatos, universidades e movimentos como o MST, serve mais para tentar desesperadamente salvar legado de Lula e conseguir, na melhor das hipóteses, não fazer com que a bancada do PT no congresso e nas assembleias legislativas não caia tão drasticamente.

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