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Uberaba

07 de julho de 2020 | 22h 41
Até onde vai a empatia?
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Redação JC
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Publicado por: Redação JC

Letícia Marra escreve a coluna de Cotidiano/Cidade no JC. É estudante de Jornalismo na Universidade de Uberaba. Já trabalhou com mídias digitais e assessoria, produção de vídeos para a página de Comunicação Social da Uniube, produção de conteúdo na Central de Jornalismo da Uniube e hoje faz estágio de produção na TV.

 

Em sua coluna Letícia Marra traz o tema: Até onde vai a empatia?

Eu sou uma pessoa que passa bastante tempo no twitter. É a rede social que mais gosto e mais me sinto confortável. Mesmo me sentindo confrontada o tempo inteiro a analisar minhas atitudes, entender meus privilégios, reconhecer meus posicionamentos.

Pois bem. Esses dias, saiu uma notícia de uma menina chorando porque havia perdido a mãe para o covid-19. Seria "só" mais um caso, já que temos mais de 50 mil mortes no país. Mas o foco da notícia era que a filha tinha furado a quarentena e por isso a mãe contraiu a doença.

O destaque maior não era para o sofrimento de alguém que já estava se culpando pela morte da mãe, mas apontar o dedo para a ferida e escolher um culpado. Vi muitos comentários de pessoas xingando a garota e crucificando de diversas formas. Mas dentre esses comentários, vi o de uma pessoa perguntando onde estava a empatia dessas pessoas que a condenavam como se fossem ilesos de falhas e erros.

Não estou defendendo a menina que saiu mesmo sabendo dos riscos. Estou tentando apontar um novo ponto de vista: até onde a empatia pode e deve ir? A empatia é um prêmio que só aquele que nunca errou é merecedor? Ou o cuidado com a dor do outro deve ser independente do que ele tenha feito? São dilemas complicados e difíceis de responder. Nem mesmo os canceladores do twitter conseguirem entrar em um acordo.

A cada comentário que eu lia surgia uma nova perspectiva da situação. Afinal, a mãe só ficou doente porque a filha foi para uma festa. Mas carregar essa dor já não é sofrimento demais por si só? Carregar essa "culpa" já não é torturante o suficiente para deixar a filha com aquela marca para o resto da vida? Ainda era necessário mostrar que ela estava errada com tanto ódio? Não seria a hora de acolher essa jovem e tentar confortar a dor de não ter mais sua mãe por perto? Quem decide até que ponto vai a empatia?

Ainda não encontrei a resposta para nenhuma dessas perguntas. Mas sigo me questionando se eu, no ápice da minha imperfeição e totalmente suscetível a errar, sou melhor que alguém a ponto de usar da dor do outro para lhe causar uma ferida maior ainda. Quando encontrar a resposta, prometo contar para vocês.

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