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08 de junho de 2020 | 22h 22
O que você faz com a sua indignação?
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Redação JC
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Publicado por: Redação JC

Letícia Marra escreve a coluna de Cotidiano/Cidade no JC. É estudante de Jornalismo na Universidade de Uberaba. Já trabalhou com mídias digitais e assessoria, produção de vídeos para a página de Comunicação Social da Uniube, produção de conteúdo na Central de Jornalismo da Uniube e hoje faz estágio de produção na TV.

 

Em sua coluna Letícia Marra traz o tema: O que você faz com a sua indignação?​

Por muito tempo fiquei pensando em como escreveria esse texto. nunca o sentimento de impotência pairou tão forte sobre mim. é nítida a necessidade de falar sobre os movimentos antirracistas acontecendo, principalmente, nos Estados Unidos. mas, como eu, mulher, branca, privilegiada, poderia explicar uma luta que não é minha? colocar os holofotes sobre mim seria invalidar toda essa luta, além de ser extremamente egoísta e egocêntrico. vou utilizar então desse privilégio, para expor e falar sobre o que está ao meu alcance. mas já adianto, a fonte para tudo que está aqui, não é branca.

No dia 28 de maio um homem negro, chamado George Floyd, de 46 anos, que trabalhava como segurança e que estava desarmado, foi imobilizado no chão, com um policial ajoelhado no seu pescoço e morreu, mesmo tendo gritado por 10 minutos que não conseguia respirar. difícil de acreditar né? pois é, tem vídeo sobre isso. o motivo da abordagem? os policiais estavam respondendo uma chamada de suspeita de cédulas de dinheiro falso na noite do dia 25 de maio. no mesmo dia, uma mulher branca chamou a polícia dizendo que estava sendo ameaçada por um homem negro, depois de discutirem sobre o cachorro dela que estava solto. casos como os de George não são "incidentes" tão raros para merecerem o choque mundial. um estudo da ONG Mapping Police Violence aponta que, na Terra do Tio Sam, negros tem quase três vezes mais chances de serem mortos pela polícia do que brancos. mas o assassinato de Floyd foi o estopim para mobilizar o movimento #BlackLivesMatter, que significa #VidasNegrasImportam. desde então, nos Estados Unidos, está acontecendo uma série de manifestações antirracistas.

Parece ser bizarro ainda precisar combater o racismo em pleno século XXI né? mas mais importante do que ficar abismado com essa situação, é o que fazer para que situações como essa não se repitam. e sejam extinguidas.

Me questionei novamente em como poderia tentar ensinar a acabar com algo que eu nunca nem passei perto de sofrer. eu nunca sofri racismo e nunca vou sofrer. não é algo que pode ser que eu passe algum dia, como bater o carro ou ser assaltada. não! a minha cor nunca vai ser vista como um empecilho numa entrevista de emprego e eu nunca vou ser perseguida numa loja por ser negra. mas dar as costas para essa luta e continuar usufruindo do meu privilégio de ser branca como se isso não fosse problema meu, é desumano e inaceitável.

Eu, Letícia, branca, tenho consciência que em minhas mãos correm sangue preto. não por mim, mas pelos brancos que vieram antes de mim. não é diretamente, é indiretamente. mas entrar nesse mérito, é fugir da responsabilidade. e o minha obrigação é utilizar dos meus privilégios para unir forças a essa luta, é reparação histórica no seu nível mais brando.

Só no Brasil, 71,5% das vítimas de assassinato, são negros. no índice de mortes, eles estão evidência. nas prisões, eles são a maioria, mais de 60% dos presos no Brasil, são negros. e nos empregos formais? e nas escolas e universidades? e nos cargos de chefia de grandes empresas? enas novelas e filmes? e na música? ah não, na música têm, você escuta Leal, do Djonga, no seu Iphone 11.

Tira os holofotes de você, para de olhar para o próprio umbigo. escuta o seu amigo negro quando ele disser que você foi racista e abaixa a cabeça. estamos todos susceptíveis a termos atitudes preconceituosas, o tempo todo, isto está enraizado na nossa cultura. racismo é estrutural, moreh, a luta é diária.

E a nossa força, a nossa base para combater a discriminação, é o conhecimento. já dizia o pensador Edmund Burke "Um povo que não conhece a sua história está condenado a repeti-la".

Começa analisando o seu cotidiano. o que você faz para combater o racismo? ou você não nota que ele existe? acorda, então, questiona! ouça quem tem lugar de fala, consuma conteúdo de quem pode falar sobre isso: NEGROS. não basta não ser racista, tem que ser antirracista. apoie manifestações, escolha o seu lado, se posicione… se não, de que vale a sua indignação?

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