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08 de maio de 2018 | 01h 43
Autos Giros: Uma aventura extrapesada
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Daniel Jacques - Autos Giros
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Publicado por: Daniel Jacques - Autos Giros

Daniel Jacques traz um giro semanal sobre o mundo automotivo.

Automóveis, motos, caminhões e muita informação.

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Daniel Jacques 

 

Na minha terceira coluna aqui neste espaço eu falei sobre a nova fábrica de caminhões que a Mercedes-Benz inaugurou naquela semana. Pois foi naquela viagem, em São Bernardo do Campo (SP) que eu recebi o convite para retornar à sede da marca no país para dirigir o extrapesado Actros.

É claro que eu achei interessante. Afinal, assumir a boleia de um caminhão em autódromo ou na pista de testes da fábrica não era nenhuma novidade. O que eu não sabia, porém, é que a ideia não era exatamente esta. Por isso, e como estamos falando de um veículo grande, peço licença para falar só disso hoje. Na semana que vem eu volto com as novidades.

Tá confortável aí? Posso dar a partida?

Antes, deixa eu contar uma coisa. Quando eu cheguei lá, o Actros 2651 topo de linha estava do lado de fora da fábrica. Ou seja, iríamos pegar a estrada. "Iríamos" porque, é claro, eu não iria sozinho. Meu professor e companheiro nesta viagem foi o caminhoneiro João Carlos Moita. Com mais de 50 anos de estrada, ele foi anunciado - depois da nossa viagem - Embaixador da Voz das Estradas da Mercedes-Benz do Brasil.

Mais do que um passeio de caminhão, a aventura sairia da sede da marca no país de manhã e só retornaríamos no final da tarde. O "destino" era a Estrada Velha de Santos, e a programação incluía direito a almoçar em um restaurante "de beira de estrada" como tantos caminhoneiros fazem por este Brasil a fora.

Mas deixa eu falar um pouco do Actros. Pelo nome modelo já dá para saber algumas coisas sobre ele: 2651 6x2 significa que ele tem peso bruto total (carreta + carroceria + carga) de 26 toneladas, motor de 510 cavalos e seis eixos, sendo dois deles com tração. Essas características fazem dele um caminhão rodoviário, para asfalto, e longas distâncias.

Ele tem um entre eixos (assim como nos automóveis, é a distância entre o primeiro e o segundo par de rodas) de 3,6 metros e uma autonomia de 1.080 litros. Ah, e na nossa viagem ele iria carregado com 57 toneladas de carga (a diferença em relação aos "26" do modelo é "suportada" pela carroceria e seus eixos).

E a cabine? Ah.. a cabine...

Pra começar, ela tem 2,7 metros de altura entre o piso e o teto. O piso, aliás, é plano, o que possibilita que qualquer pessoa se desloque tranquilamente no seu interior. Com 2,4 metros de largura, o caminhão que nos levou nessa aventura contava com alguns opcionais que o tornavam ainda mais interessantes. A principal era a cama, posicionada atrás dos bancos, onde qualquer pessoa pode dormir com conforto. Eu imagino que muita gente pode pensar na espessura daqueles sacos de dormir, mas não o caso.

 

Chegamos à Estrada Velha de Santos, e foi aí que eu assumi o volante. O trecho - sem saída - quase não tem trânsito e foi por pouco tempo...

Logo depois paramos no Restaurante Flutuante Netuno, já de volta a São Bernardo do Campo,  para almoçar.

Tá tudo muito bom, mas ainda é um caminhão, lembra? Podia ser um bom apartamento, mas é um caminhão.

Ele traz, por exemplo, o novo banco, lançado em março do ano passado, que conta com 12 ajustes diferentes entre encosto, altura, inclinação do assento, amortecedor e amortecimento horizontal. O sistema de som conta com rádio FM, AM, MP3 e WMA, USB e entrada auxiliar. O volante, com regulagem de altura e profundidade, é multifuncional e traz os controles do telefone, computador de bordo e do próprio som. E há ainda o cinto de segurança integrado ao próprio banco, o que também diminui o desconforto.

Como se ainda faltasse alguma coisa, o "brinquedo" ainda avisa o motorista sobre qualquer possível problema - desde o nível do óleo, algum problema elétrico ou mecânico - e, se houver qualquer problema que demande uma revisão ou conserto. O sistema localiza o caminhão e indica a concessionária Mercedes-Benz mais próxima.

Outra coisa sensacional são os sistemas auxiliares de frenagem. Primeiro o assistente ativo, que "enxerga" qualquer obstáculo a frente que esteja a 150 metros ou menos. A partir daí ele coloca o caminhão na mesma velocidade do veículo da frente, até parar. E pode ser desde outro caminhão, automóvel, moto ou, como aconteceu durante a vigem, uma bicicleta a prosaicos 20 km/h.

Outro sistema interessante é o Retarder. Em cinco níveis de auxílio de frenagem ele adiciona, junto com o freio motor, até 1200 Nm de torque à frenagem. Com ele é possível dirigir o caminhão sem pisar no freio. O próprio João Moita me contou que já fez viagens longas, como de São Paulo ao Rio, utilizando o Retarder e o assistente ativo sem pisar no freio uma única vez. Mas isso, claro, não diminui em nada a importância da atenção total do motorista à estrada.

A aventura foi muito boa, mas acabou. Para mim foi um dia muito especial, de muito aprendizado e conhecimento. Uma pequena vivência, em um curtíssimo tempo, do que tantos caminhoneiros vivem no seu dia a dia.

Não posso fechar a coluna desta semana sem cumprimentar meu novo amigo João Moita pelo novo cargo de "Embaixador da Voz das Estradas" Mercedes-Benz. Parabéns, você merece!

 

E a você, leitor da coluna Autos Giros, um abraço e até a semana que vem!

 

 

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